IIE/Divulgação
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Instituto dos EUA pede 'jeitinho brasileiro' para vencer atraso do CSF

Sugestão do Institute of International Education foi vista como uma ofensa pelos intercambistas; governo federal nega problema

Tulio Kruse e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Um instituto americano, responsável por repassar auxílios a intercambistas do Ciência sem Fronteiras nos Estados Unidos, recomendou que os alunos usem o “jeitinho brasileiro” para lidar com o atraso do benefício nos próximos meses. A sugestão foi vista como uma ofensa pelos estudantes. O governo brasileiro nega atrasos. 

Os auxílios são repassados pelo Institute of International Education (IIE), mas são provenientes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação responsável pelo Ciência sem Fronteiras. A verba custeia, por exemplo, alimentação e transporte dos alunos. 

Em e-mail a alunos do programa nesta semana, o IIE alerta que pode haver demora no repasse do dinheiro nos próximos meses. Recomenda controlar gastos e usar o “brazilian method of creative problem solving”, versão em inglês de “jeitinho brasileiro”, para enfrentar a provável falta de recursos. 

Brenno Martins, de 20 anos, aluno de Engenharia do Ceará, que faz intercâmbio na Universidade do Norte do Arizona, está preocupado. “No meu caso, posso pedir ajuda aos meus pais. O problema é quem não pode”, disse. A referência ao “jeitinho brasileiro” também incomodou. “Foi uma ofensa.”

Em nota, a Capes informou que o e-mail do instituto é “descabido”. Os pagamentos foram feitos anteontem. Segundo o órgão federal, o IIE “pediu para que o texto anterior fosse desconsiderado”. O Estado não conseguiu contato com o IIE.

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