Instituições precisam repensar modelo de ensino

A questão é cultural. As tecnologias de informação estão disponíveis, mas as universidades (não só as particulares) hesitam em priorizar a aplicação dos novos recursos no que é essencial em seus negócios: a qualidade da educação. ?O uso de TI vai depender de a universidade repensar o seu papel?, analisa Leonardo Alecrim, gerente de TI da Universidade Anhembi Morumbi.Criar cursos com dinâmicas mais flexíveis, adaptadas às necessidades dos alunos, registrar conteúdo de aulas, dar acesso a publicações eletrônicas, tudo isso envolve concepções de ensino e aprendizado que muitas vezes não passam pela cabeça de docentes e coordenadores. Ou encontram resistências. ?Muitos ainda acham que o aluno tem de se virar para se adaptar a tudo na universidade?, diz Luiz Botelho, da área de desenvolvimento de talentos da E-Consulting Corp.Alecrim observa que, na Anhembi Morumbi, ferramentas de educação a distância permitiram criar a ?Sexta-free?, um dia em que o aluno pode assistir à aula de sua casa, sem precisar ir à universidade. E os professores ganharam mais recursos para conhecer o perfil de cada estudante. ?O professor sabe como está o desempenho de cada aluno, e pode ajudá-lo melhor?, explica.CustosO preco destes sistemas de TI é a principal justificativa para que os gestores privados de educação superior deixem de investir. Calcula-se que um pacote de soluções de gestão não saia por menos que R$ 400 mil. Por isso, a prioridade dada ao setor administrativo vira obstáculo aos investimentos de caráter pedagógico.O que é um equívoco, segundo Botelho. ?Fica mais caro investir em soluções que incluam também a satisfação do aluno, mas os benefícios ao longo do tempo são muito maiores?, justifica. ?Ainda mais para os que não perdem tempo e recursos tentado integrar sistemas diferentes, porque podem se dedicar integralmente ao seu core business, que é a educação.?Segundo Alecrim, é preciso ?visão de futuro da universidade? para encarar os investimentos em sistemas completos, tanto na área administrativa quanto na educacional. A Anhembi Morumbi, exemplifica ele, implantou sistemas de gestão administrativa, financeira e contábil entre 2001 e 2002; em seguida, iniciou investimentos em ferramentas de educação a distância. ?Agora vamos avançar na área de gestão acadêmica.? leia também Universidade demora a usar tecnologia na educação Atraso também é problema em países desenvolvidos

Agencia Estado,

27 de março de 2004 | 12h15

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