Instituições financeiras são alternativa para quem não tem Fies

Estudar numa universidade particular e pagar a conta só depois de formado, por um período de oito, dez anos e a juros muito, muito baixos. O sonho da maioria dos estudantes brasileiros tem nome, mas atende apenas a uma fração de interessados.Desde 1999, o Financiamento Estudantil (Fies), programa do governo federal voltado para universitários de baixa renda, foi procurado por mais de 1,1 milhão de estudantes. Pouco mais de 290 mil, no entanto, receberam a ajuda, incluindo os 70 mil já escolhidos neste ano.Mas e os outros? E os estudantes sem dinheiro no bolso que querem ingressar no ensino superior e ficaram de fora do Fies?Até pouco tempo atrás, o programa oficial era o único viável para jovens universitários. Mas agora empresas privadas começam a oferecer opções interessantes de financiamento.Oito anos para pagarUma delas é a da Ideal Invest. Especializada na área de educação, a empresa financia 35% das mensalidades de qualquer curso universitário e concede oito anos para que o aluno salde sua dívida. Até abril, a empresa havia disponibilizado R$ 2 milhões. De abril para cá, esse número saltou para R$ 10 milhões.Mais de 40 instituições de ensino superior espalhadas por nove Estados são cadastradas ao serviço de crédito estudantil da Ideal Invest.Os juros cobrados pela empresa são de 1,5% ao mês ? bem abaixo do porcentual cobrado por financiamentos feitos por bancos, cujas taxas mensais podem chegar a 12%. Os juros do Fies são de 9% ? não ao mês, mas ao ano.Desempenho acadêmico?O interessado precisa comprovar que tem capacidade de pagar (a dívida) nos próximos oito anos. Outro critério que levamos em conta é o desempenho acadêmico dele?, diz Oliver Mizne, diretor da Ideal. O candidato precisa ter um fiador com renda de aproximadamente de R$ 1.500,00 ? valor que depende do curso.O dinheiro do financiamento vai direto para a instituição de ensino ? antecipando o valor que ela receberia do aluno. Os recursos da Ideal Invest vêm de empresas privadas que decidiram formar um fundo e investir no crédito a estudantes universitários.Crédito para clientesOutra opção dos estudantes ? esta dirigida a um público mais restrito ? é o novo produto da Fininvest, uma das empresas ligadas ao Unibanco.O Finivest Educação é uma espécie de crédito estendido liberado para uma parte das pessoas já clientes da empresa.Com o dinheiro, elas podem pagar uma parte ou a integralidade de seus estudos ou dos de seus filhos, ou ainda saldar dívidas com universidades e escolas. O empréstimo deve ser pago em 36 meses a juros que variam de 2% a 3,9%. O crédito pode ser usado para pagar mensalidades do ensino fundamental, médio, técnico ou superior.?Os nossos gerentes já vinham percebendo a demanda por esse tipo de crédito. Muitos clientes diziam que queriam fazer um curso técnico, uma faculdade ou pagar a dívida da escola do filho. Foi por isso que desenvolvemos esse produto?, diz Roberto Sansão, superintendente da área de produtos da empresa.Dívida com faculdadeA Fininvest está disponibilizando R$ 5 milhões para essa nova modalidade de crédito. Pelo menos no início, a idéia é que os recursos sejam oferecidos a cerca de 5 mil pessoas. Quem já sentiu na pele a dificuldade de não ter como saldar uma dívida com a faculdade, sabe quanto um financiamento voltado para a educação pode ser importante.A secretária Patrícia Nascimento, por exemplo, recorreu no ano passado à Ideal Invest para acertar suas contas com o Centro Universitário Assunção (Unifai). Ela havia terminado o curso de Secretariado Executivo em 2001, mas deixou para completar quatro matérias no ano passado. Então, o que pode acontecer com qualquer um aconteceu com ela.Olhos bem abertosO dinheiro encurtou e Patrícia, de 29 anos, não conseguiu pagar duas mensalidades no primeiro semestre. Por conta disso, não pôde se matricular para o semestre seguinte e, assim, ficou sem condições de concluir o curso. A saída surgiu em setembro.?Eu estava devendo uns R$ 430,00. O pessoal da universidade me sugeriu a Ideal Invest. Fiz um financiamento para pagar em quatro vezes?, conta Patrícia.Para quem pensa, porém, em recorrer a alguma modalidade de financiamento desse tipo, é importante sempre ficar de olhos abertos para as condições exigidas pelas empresas, como juros, prazos para o pagamento e situações que possam interromper o crédito no meio do contrato.

Agencia Estado,

03 de novembro de 2003 | 13h06

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