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Instituições de ensino superior usam novos formatos de provas em seus vestibulares

Entrevista virtual e teste oral são algumas das avaliações usadas para aprovar candidatos em cursos de graduação

Alex Gomes, especial para o Estadão

16 de novembro de 2021 | 05h00

De um lado, um novo ensino médio que promete trocar o conteudismo pelo desenvolvimento de habilidades e competências. Do outro, faculdades e universidades alinhadas à sociedade digital. Entre os dois universos, processos seletivos estagnados.

Mudar esse cenário depende de as instituições de ensino superior ressignificarem sua principal porta de entrada, o que já começa a ocorrer. A máxima “menos é mais”, tipicamente usada em áreas como Design e Arquitetura, pode apontar caminhos para tornar o processo seletivo mais simples e efetivo no contexto da educação do século 21.

Durante a pandemia, a ESPM substituiu suas provas convencionais por uma redação e a realização de entrevistas com os candidatos. O tema da redação o candidato conhece na data do exame, com um limite de 400 palavras e duas horas e meia para seu desenvolvimento. Já a conversa tem 30 minutos de duração, feita pelo aplicativo Zoom e com tema pré-divulgado.

No próximo processo seletivo, o tema da entrevista é A Felicidade. O avaliador irá observar como o candidato estabelece relações entre consciência, criação de sentido e aprendizagem significativa. Também serão avaliadas as competências definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente as relacionadas a capacidades de planejamento, comunicação oral e solução de problemas.

“A entrevista permite que o aluno assuma o papel de protagonista e permite conhecer o candidato de forma que as provas tradicionais não permitem”, explica Cristina Helena Pinto de Mello, diretora da área de Sucesso do Docente e do Discente da ESPM. E ainda há uma vantagem institucional: ao conhecer o estudante, a ESPM também recebe subsídios para alinhar sua proposta pedagógica de acordo com o perfil da turma.

“O formato da entrevista vai permanecer, talvez com alterações, vindas das curvas de aprendizagem. Mas veio para ficar”, afirma Cristina Helena. “Pelo mundo nós vemos grandes universidades com o processo, e no Brasil já temos esse modelo nos mestrados e nos doutorados”, completa a diretora de Sucesso do Docente e do Discente da ESPM.

Prova com caráter educacional

No Insper, o processo seletivo digital realizado na pandemia tem possibilidade de se tornar definitivo. Aliado ao uso da tecnologia, a instituição aplicou metodologias que visam a dar à prova um maior caráter educacional. Isso envolve utilizar um dos mais antigos formatos de exame: o teste oral.

Na primeira fase do processo, houve o procedimento intitulado double check, no qual os alunos conversaram com examinadores e detalharam solução de determinadas questões, escolhidas de forma aleatória pelo sistema.

“O efeito inesperado foi que, além de garantir a segurança, os estudantes gostaram. Eles estavam tensos em fazer a prova de modo remoto, mas com o teste oral ficaram mais calmos”, afirma Guilherme Martins, diretor dos cursos de Graduação do Insper. “Isso foi além do aspecto tecnológico da mudança, pois paradoxalmente um dos maiores ganhos foi a ampliação do contato humano”, diz.

Para evitar fraudes, um sistema de inteligência artificial utilizava a câmera e o microfone dos computadores dos alunos para detectar suspeitas, como outras pessoas no ambiente e objetos como calculadoras e telefones celulares. Caso algo fosse captado, o sistema avisava a equipe de fiscalização. 

Já a segunda etapa teve como foco avaliar competências socioemocionais, com entrevistas e dinâmicas de grupo conduzidas por uma banca de composição diversa, formada por ex-alunos, professores e funcionários.

Os candidatos foram desafiados a mostrar capacidades investigativas: formularam indagações sobre temas polêmicos, como legalização do aborto e redução da maioridade penal, explicando para quais especialistas e grupos direcionariam as indagações.

“Nesse exame, muitos alunos sentiram um ‘bug’. Eles alegavam que foram treinados a vida inteira para dar respostas, e não a fazer perguntas”, conta Martins. “Queremos mostrar que são os questionamentos que movem o conhecimento, pois assim nasce a ciência. Prefiro os alunos que trazem indagações e procuram respostas do que os que trazem afirmações que podem estar erradas”, diz o diretor de Graduação do Insper. 

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