Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Inglês a jato não exige nenhuma mágica, mas muita dedicação

Aprender o idioma em pouco tempo é possível, mas é necessário que o aluno estude muito e incorpore a nova língua à rotina

Luciana Alvarez, Especial para o Estado

23 Fevereiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Como gerente regional de uma empresa de telecomunicações, responsável por atender clientes corporativos de São Paulo, Alexandre Berbel, de 34 anos, usa intensamente a língua portuguesa. Mas, além de ser bem articulado no idioma dos consumidores, ele sentia falta de se comunicar com os fornecedores, americanos na maioria. “Meu inglês era só o que aprendi na escola, bem básico.”

Para dispensar intermediários na comunicação, o gerente entrou há dez meses em um curso intensivo de inglês da Cel.Lep. Estuda duas horas por dia de segunda a quinta-feira e ainda se dedica nos momentos de lazer. “Nos fins de semana, assisto a filme ou série em inglês com legendas em inglês.” 

A dedicação já trouxe resultados. “No trabalho já consigo escrever um email, tenho confiança para atender uma ligação.” Ter consciência do próprio progresso é uma motivação. “Exige esforço, mas é prazeroso notar minha evolução.” A melhora nas perspectivas de carreira são um incentivo extra, pois ele sabe que, para chegar ao cargo de diretor em qualquer grande empresa do seu setor, o domínio do inglês é imprescindível. 

Berbel deu um salto no nível da proficiência em pouco tempo por seguir três lições importantes para quem tem pressa em aprender: ter elevada carga horária de estudo, incluir o inglês em situações do dia a dia e manter uma atitude positiva.

Vinícius Nobre, gerente acadêmico da rede de escolas de inglês Cultura Inglesa, diz que ganhar rapidamente fluência em um idioma estrangeiro depende em primeiro lugar do número de horas de estudo. “Para ter um nível básico, você precisa de determinada carga horária. Se conseguir condensar essas horas em um mês, aprende o básico em apenas um mês.” 

Mas ele lembra que a exposição à língua horas a fio, embora ajude, não é tudo. É necessário ter um contato formal, com o intuito de se aprender. 

“Um dos maiores mitos é que, simplesmente ao morar fora, você aprende rápido. O resultado vai depender da atitude”, disse Nobre. “Muitos optam pelo intercâmbio com a expectativa de fugir da escola. Assim não adianta. A viagem aumenta a exposição. Mas, para chegar a certo nível de competência, é preciso de boa dose de estudo.”

O resultado é mais rápido se o foco dos estudos for na comunicação, em vez de ênfase na gramática ou no vocabulário, diz Patrícia Mckay, diretora pedagógica do Cel.Lep. E, quanto mais relevantes para o aluno forem as situações vistas, melhor. “O aprendizado pode se dar de forma natural e, conforme o estudante vai aprendendo, vai sofisticando as estruturas sintáticas, o vocabulário.” 

O tempo para começar a usar o inglês na rotina profissional depende da necessidade.

“Aprender inglês é um conceito muito amplo. Se for só para ler, é um tempo; se for para falar ao telefone, outro; se for para negociar e fazer apresentações, exige mais”, afirmou Patrícia. Uma forma de testar o seu inglês para ganhar confiança é praticá-lo em situações reais, longe da escola ou do trabalho. Pode ser ouvir música, conhecer a literatura inglesa, qualquer coisa que desperte o interesse do aluno. “O acesso ao inglês hoje é fácil via internet ou TV. O professor tem a responsabilidade de transmitir conhecimento, mas o aluno deve ter a vontade de se envolver em atividades extras.”

Lado emocional. Se aprender inglês for uma necessidade urgente e o aluno estiver sob pressão, a ansiedade se torna prejudicial. “A educação de forma geral, e sobretudo de outro idioma, está atrelada às emoções. Principalmente no adulto, o filtro afetivo pode ser um obstáculo”, afirma o gerente da Cultura Inglesa. Diferentemente das crianças, para as quais “não saber” é visto com naturalidade, os adultos costumam chegar à sala de aula com autocobrança e medo de julgamentos.

A melhor forma de superar essas travas é apaixonar-se pelo inglês, garante Nobre. “O docente deve ter a habilidade de despertar o interesse pela língua, por mostrar tudo o que ela traz junto, como a cultura e o acesso aos países.” Por meio do encantamento, as exigências do estudo árduo se tornarão mais leves e prazerosas.

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