Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Inep estuda possibilidade de Bolsonaro examinar previamente Enem

Novo presidente do instituto, Marcus Vinícius Rodrigues disse nesta quinta que ele mesmo poderá ver a prova e que as questões 'não terão postura ideológica'

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 14h03

BRASÍLIA - O novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Marcus Vinícius Rodrigues, disse nesta quinta-feira, 24, que o instituto vai discutir a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro avaliar as questões do Enem antes de a prova ser aplicada. 

“O presidente foi legitimamente eleito com 62 milhões de votos. Isso vai ser conversado, dentro dos aspectos legais”, afirmou Rodrigues ao tomar posse do cargo. Ele afirmou que ele próprio, como presidente do Inep, tem autoridade para ver a prova, mesmo que isso não seja a praxe. 

Em novembro, ao criticar uma das questões do Enem que abordava o “pajubá” – conjunto de expressões usadas pela população LGBT –, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que em 2019 leria a prova antes de ela ser aplicada.  “O presidente representa o anseio de mudança. Estou aqui dentro desse princípio. Vamos mudar o modelo, com responsabilidade, com coerência, dentro do legal”, disse o presidente do Inep.

Rodrigues disse que mudanças serão feitas no Enem e que o banco de questões “não terá postura ideológica”. As perguntas da prova, segundo ele, deverão priorizar o que for necessário para medir o conhecimento. “Vamos respeitar nossas crianças e adolescentes”, complementou.

Segurança

O presidente do Inep, no entanto, foi enfático ao defender a segurança do exame. Na quarta-feira, em Davos, o presidente Bolsonaro, em conversa com assessores testemunhada pelo Estado, chegou a citar o risco de “vazamento de prova” pelo PT. “Trabalhei em poucas empresas com níveis de segurança como a do Inep. A estrutura é muito segura. Isso nos deixa muito tranquilos”, disse Rodrigues.

Engenheiro, Rodrigues, ainda nos primeiros minutos do discurso de posse, agradeceu a Deus por sua indicação ao cargo, citou família, pátria e criticou “ideologias e crenças” que diz considerar inadequadas nas escolas. Segundo ele, teriam “origem em interpretações superficiais de pseudo intelectuais ou de um oportunismo pseudo partidário”. 

Rodrigues afirmou ainda que o País precisa “de uma nova escola, com novos paradigmas, que resgatem novos valores e tenham como diretrizes o respeito à família e à pátria”. De acordo com ele, esses são os principais objetivos do Inep. 

Mais tarde, em entrevista, ele afirmou que pretende melhorar a qualidade, a confiança nos sistemas usados pelo instituto e reduzir custos. “Não é preciso necessariamente ter alto custo para realizar um bom trabalho. Podemos ter excelentes exames e itens com custo menor, otimizar nossas estruturas e processos, a parte tecnológica, com integração maior o que tornará mais eficaz.”

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