Índices mais graves de analfabetismo estão em Alagoas

Mesmo em declínio - passou de 17,2% em 1992 para 12,4% em 2001 - o analfabetismo ainda atinge pelo menos 14,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais no Brasil, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE. Apesar do recuo em todas as regiões do País, a taxa brasileira ainda é uma das maiores da América Latina. No Nordeste, caiu, no período, de 32,7% para 24,3%. Isso quer dizer que, na região, de cada quatro adultos, um não sabe ler nem escrever. É lá que continua a haver a maior proporção de analfabetismo no Brasil, afirmam os pesquisadores do instituto. Alagoas concentra as piores estatísticas.Em alguns Estados, a taxa chega a níveis assustadores. Em Alagoas, por exemplo, calcula-se que 30,6% dos adultos com mais de 15 anos sejam analfabetos: 32,4% das mulheres e 28,9% dos homens. É o pior índice estadual, seguido de perto pelo Piauí, com 29,4%. O quadro fica ainda pior quando se consideram os chamados analfabetos funcionais, que têm menos de quatro anos de estudos: são 27,3% dos adultos brasileiros: 42,8% no Nordeste, 20,4% no Sudeste, 21,2% no Sul, 25,9% no Centro-Oeste e 26,3% no Norte. Nesse ponto, Alagoas, mais uma vez, lidera: são 50,2%, sendo 52,7 mulheres e 48% homens.O estudo do IBGE confirma outro avanço, a quase universalização do acesso à escola para crianças de 7 a 14 anos, que chegou a 96,7% incluindo áreas rurais, onde 94,7% freqüentam alguma instituição de ensino.Em nove anos, a taxa de escolarização dessa faixa etária subiu 19 pontos porcentuais, mas a escolaridade da população em idade ativa aumentou pouco mais de um ano - chegou a 6,7 anos de estudo. Apenas 34,9% das crianças de 0 a 6 anos e 34% dos jovens de 18 a 24 anos vão à escola. O levantamento também aponta que 59,9% dos alunos de universidades públicas saem dos 20% mais ricos da população.Mortalidade infantilOutro indicador positivo foi o recuo na mortalidade infantil, de 47,5 para 28,7 por mil nascidos vivos. A distribuição por região, contudo, é muito desigual: vai dos 18,4 por 1000 do Sul para 43 por 1000 no Nordeste. Um dos motivos pode ser o reduzido número de mulheres que realizaram mais de sete consultas durante a gravidez: 46%.Nos Estados do Norte são 25,8%, e do Nordeste, 32,9%. O estudo também constatou redução na participação de estabelecimentos privados com internação de 71,5% em 1992 para 65% em 2001. Para os pesquisadores, sinal do aumento da presença pública no setor, principalmente onde eram mais necessários, como Norte e Nordeste."Há aumento na proporção de mães jovens", disse Ana Lúcia Sabóia, gerente de Indicadores Sociais do IBGE. Ela mostrou que em 2001, 20,5% dos bebês nascidos vivos tinham mães com idades de 15 a 19 anos, apenas.

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