Índice aponta acadêmicos coreanos como os mais valorizados do mundo

Posição brasileira mostra que País deve encarar mau desempenho como um sinal claro para a necessidade de melhoria

Thiago Mattos, Especial para o Estado

16 Agosto 2013 | 14h58

SÃO PAULO - Acadêmicos da Coreia do Sul são os mais comercialmente valorizados do mundo. É o que diz um índice lançado na segunda-feira, 12, pela revista Times Higher Education (THE). O Índice de Inovação dos Melhores Acadêmicos do Mundo (tradução livre de World Academic Summit Innovation Index) calcula que empresas de todo o mundo estão investindo cerca de US$ 100 mil em cada acadêmico coreano, para que trabalhos com inovação e pesquisa sejam realizados em seu nome.

Para compilar a lista, o índice usa a paridade do poder de compra para avaliar o rendimento de pesquisa que centenas de instituições de ensino de todo o mundo recebem da indústria. Os resultados dão uma ideia global de quão bem-sucedidas são as melhores universidades do mundo ao competir por financiamento de pesquisa pela indústria.

Na lista, que classificam os 30 melhores países do mundo, Cingapura está em segundo lugar, trazendo uma média de US$ 84.500 por acadêmico, a Holanda aparece na terceira colocação (US$ 72.800 por acadêmico) e África do Sul vem em quarto (US$ 64.400). O Brasil é o 23º país da lista e recebe a quantia de US$ 14.900 por acadêmico.

O editor da THE, Phil Baty, afirmou em entrevista por e-mail ao Estado que as universidades brasileiras, tradicionalmente, não têm tido uma performance à altura do que se espera delas no ranking e, com isso, têm dificuldades em atrair mais investimentos privado e ajudar a conduzir a economia do País. "O 23º lugar, ainda que esteja à frente de algumas nações desenvolvidas, deve ser entendido como um claro sinal de que uma melhoria ainda é necessária", diz.

Inesperado. A surpresa da lista é a posição dos Estados Unidos, país tradicionalmente conhecido por suas grandes universidades, que figura na 14ª colocação, no meio do ranking.

A aparente falta de interesse dos grandes negócios por investimentos ocidentais contrasta com o fato de que alguns dos mais relevantes avanços da história vêm de instituições americanas ou europeias. Sem as pesquisas realizadas por acadêmicos dessas entidades, novidades como o mp3 (que surgiu na Universidade de Erlangen, na Alemanha), a televisão de plasma (Universidade de Illinois, EUA), o adesivo de nicotina (Universidade da Califórnia) e o holograma (Imperial College London), entre outros, não fariam parte do nosso cotidiano.

Inovação oriental. Os resultados também mostram que o recente interesse pela pesquisa oriental pode ser explicado pela combinação entre um crescente entusiasmo por avanços tecnológicos e ciência da computação aliado ao forte setor manufatureiro e o foco acadêmico nessas áreas em países como Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan, China e Índia - entre os dez melhores colocados.

Para o editor da revista que realizou a pesquisa, esse novo ranking de inovação mostra que as nações asiáticas abraçaram o potencial de suas principais universidades de conduzir o futuro da economia do conhecimento e estão preparados para apoiá-los com excelentes níveis de financiamento. "Como resultado, houve um forte foco em pesquisa aplicada, que tem impacto no mundo real, em áreas como engenharia e tecnologia, onde os níveis de investimento são elevados porque os retornos comerciais são altos", afirma Phil Baty.

Exemplos não faltam. O Korea Institute of Science and Technology (KIST) tem colaborado com a empresa coreana Samsung para o desenvolvimento do primeiro robô humanoide que recebe sua inteligência de um computador wireless. A promessa coreana de "um robô por casa" para o ano de 2020 conta com Mahru-Z, o robô que liga a máquina de lavar louças, enche a lavadora de louças e corta saladas para seu dono.

No mês passado, cientistas da Nanyang Technological University (Cingapura) exibiram sua "capa da invisibilidade", que fez um gato e um peixe-dourado desaparecer. O invento - que é capaz de fazer qualquer coisa dentro de seus limites desaparecer da vista direta - pode ter sérias aplicações do mundo real em matéria de segurança ou de entretenimento.

"As universidades são fundamentais para o futuro da economia do conhecimento e uma parte essencial de suas missões é quando suas invenções saem dos laboratórios para o mundo real. Por isso, não podem mais ficar encasteladas ou isoladas do mundo real", afirma Baty.

 

PosiçãoPaísValor Médio por Pesquisador (US$)
1Coreia do Sul97.9
2Cingapura84.5
3Hong Kong72.8
4África do Sul64.4
5Bélgica63.7
6Taiwan53.9
7China50.5
8Suécia46.1
9Dinamarca43.6
10Índia36.9
11Rússia36.4
12Turquia31
13Canadá27.2
14Estados Unidos25.8
15Austrália25.6
16Japão24.9
17Finlândia24.5
18Nova Zelândia22.3
19França21
20Hong Kong20
21Alemanha19.4
22Suíça17.6
23Brasil14.9
24Itália14.4
25Israel13.6
26Reino Unido13.3
27Áustria11.3
28Noruega9.1
29Portugal8.6
30Irlanda8.3
Source: Times Higher Education / Thomson Reuters, InCites™, 2013

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