Inadimplência no ensino superior privado cresce na região metropolitana de SP

Segundo o sindicato do setor, houve um aumento de 3,05% na inadimplência na região metropolitana, o que resultou num total de 6,68% em 2010

Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

01 Julho 2011 | 11h58

Ao contrário do País e do Estado de São Paulo, a inadimplência do ensino superior privado na região metropolitana paulista cresceu entre 2009 e 2010. Os dados são de uma pesquisa do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado (Semesp).

 

Segundo o estudo, o setor registrou um aumento de 3,05% na inadimplência na região metropolitana, o que resultou num total de 6,68% em 2010. A região é responsável por 57% das matrículas de todo o Estado - onde foi observada uma pequena queda de 1,58%, chegando à taxa de 9,57% em 2010.

 

Para o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, uma das hipóteses para o crescimento da taxa na região metropolitana é que é ela quem concentra a maior inclusão das classes C e D. Os alunos desse perfil têm mais dificuldade para arcar com mensalidades e os custos indiretos da educação e, por isso, acabam inadimplentes. "Isso acaba tendo efeito também nas taxas de evasão, além de atingir os índices de inadimplência", disse Capelato.

 

Para Fábio Figueiredo, diretor de desenvolvimento do Grupo Cruzeiro do Sul Educacional (Unicsul), outra possibilidade é que problemas como a inadimplência acontecem primeiro em regiões metropolitanas. "São áreas que registram antes esse tipo de coisa. Pode ser que essa tendência ocorra no interior nos próximos anos, por exemplo", explica.

 

Figueiredo  ressalta que a maior diversidade de cursos na região metropolitana também pode contribuir para o aumento. "A concorrência é mais agressiva aqui, o que incentiva as instituições a tentarem captar cada vez mais alunos", diz.

 

O presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Gabriel Mario Rodrigues, concorda. "Em cidades menores, a oferta de cursos é mais baixa e os alunos trocam menos de instituição", disse. "Em regiões metropolitanas, a oferta é mais diferenciada."

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