Scott Webb/Unsplash
Scott Webb/Unsplash
Imagem Rosely Sayão
Colunista
Rosely Sayão
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Impulsividade e adolescência

É justamente na adolescência que as reações rápidas, impensadas e movidas, em geral, por emoções intensas mais surgem

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2022 | 05h00

Impulsividade. Essa foi a palavra que mais ouvi de mães e de pais no último mês. A maioria das queixas fez referência a adolescentes, mas crianças – incluindo as menores – também foram citadas. É justamente na adolescência que as reações rápidas, impensadas e movidas, em geral, por emoções intensas mais surgem. Por quê? Porque é nesse período da vida que o verbo começa a ser de fato compreendido nos três tempos: passado, presente e futuro.

Sabemos que a noção do tempo do relógio não faz sentido para as crianças, principalmente na primeira infância. Se uma delas, por exemplo, pedir para comer uma guloseima e os pais responderem que “mais tarde”, o usual é ela interpelar os pais, repetidas vezes, dizendo: “Agora já é mais tarde?”. Nessa fase da vida, o tempo é entendido pelas experiências que a criança vive. Vale lembrar aqui aos pais de crianças com até 6 anos, mais ou menos: dizer que ela precisa se apressar porque a família só tem dez minutos para sair a tempo para os compromissos não ajudará a entender que ela precisa ser mais rápida.

Com o crescimento, o tempo experiencial passa a ser substituído pelo cronológico, mas este só fará mesmo sentido na adolescência. Entretanto, como ainda é o presente que se prioriza, as atitudes e as reações impulsivas desabrocham em pencas. É possível ensinar aos filhos que a impulsividade traz, quase sempre, resultados negativos e/ou agressivos a eles e/ou aos outros que estão com ele e, com isso, diminuir a sua frequência? Com perseverança e paciência, sim. Mas tais ensinamentos devem ser iniciados lá atrás, nos primeiros anos de vida.

Identificar e nomear emoções que a criança experimenta e dar alternativas mais adequadas às situações vividas é um exemplo. Quando ela vivencia sofrimento por frustração provocada por outra criança, por exemplo, e se descontrola, ajuda bastante primeiramente tirar a criança da situação que provocou o descontrole e, em seguida, conversar com ela sobre outras reações possíveis e melhores.

Já com o adolescente podemos ensinar o autocontrole, a autorreflexão, e principalmente a possibilidade de antecipar e prever resultados possíveis ao seu comportamento. Essa é uma das mais importantes diferenças entre o adulto e o adolescente: este age primeiro para depois ver as consequências; o adulto pensa antes de agir. Quer dizer, deveria pensar. As atitudes impulsivas dos adultos têm sido normalizadas, não é? Por isso, tem sido mais árdua a batalha dos jovens para amadurecer: eles não têm tido bons exemplos.

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

Tudo o que sabemos sobre:
adolescênciaeducaçãocriança

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.