Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Importância de ranking divide os pais

Embora muitos apostem na força da escola competitiva, outros preferem ignorar vestibular e investir no desenvolvimento social do filho

Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2011 | 04h19

Levar em conta a posição da escola no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na hora de escolher onde o filho vai estudar ainda é um fator de peso para algumas famílias. Outras, no entanto, procuram ignorar a publicidade em torno das melhores escolas e afirmam buscar ambientes mais voltados para o desenvolvimento social das crianças, sem o foco prematuro na avaliação e nos vestibulares.

É o caso da família de Beatriz Busin Campos, de 16 anos. Ela estudava em uma escola que está entre as cinco melhores de São Paulo de acordo com o desempenho no Enem em 2009 e em 2010. Apesar de ter ido para o tal colégio por escolha própria, Beatriz afirma que não era feliz.

"Tirei algumas notas baixas e minha mãe foi chamada", lembra ela, que achava o clima da escola "pesado e tenso". "Os professores eram distantes, as aulas eram muito compridas e eu também não fiz muitos amigos. Não consegui me apegar à escola."

Após concluir o 1.º ano do ensino médio, Beatriz decidiu mudar de colégio e acabou optando pelo Colégio Equipe, escolha que foi comemorada por sua mãe. "Não queria que ela tivesse ido para a outra escola porque esse ranking não quer dizer nada", afirma Cynthia Busin, de 49 anos. "Lá, ela só tinha aula de educação física e ainda era opcional. A adolescência é um período rico, em que o jovem deve ter tempo para fazer esportes, tocar violão, viver além da escola. Ir bem no vestibular é só um pedacinho da vida."

Valores. Para as famílias que ignoram os ranqueamentos, as escolas devem considerar os mesmos valores que são exaltados dentro de casa. "O importante é o meu filho estar feliz, bem, estudando num lugar onde a abordagem humana do conhecimento é valorizada", explica a pedagoga Regina Gammardella Rizzi, de 53 anos, mãe de João Pedro, também aluno do Equipe.

"Os rankings podem despertar a curiosidade num primeiro momento, mas são como uma fotografia instantânea", opina Regina. "É como avaliar todo o conhecimento de um aluno apenas por uma prova."

João Pedro, que está no 3.º ano do ensino médio e quer Medicina na Universidade de São Paulo (USP), um dos cursos mais concorridos do País, não teme ficar para trás por não estar estudando em um colégio que aparece no topo do ranking do Enem. "A educação que eu recebo não é apenas para passar no vestibular", afirma ele, que não descarta a possibilidade de ter de fazer um curso pré-vestibular para conquistar a vaga sonhada. "Vale mais sacrificar esse tempo no cursinho do que todos os anos da minha educação voltados apenas para isso."

Critérios. As famílias que assumem utilizar a nota no Enem como critério para selecionar as escolas afirmam que também consideram outros aspectos na decisão. "O fato de não haver exame de seleção e ter um perfil diferenciado contou na hora da escolher o Stockler", conta a advogada Deborah Chow, de 49 anos, mãe de Rafael, de 16 anos. "Olhamos o ranking para definir opções, mas não acho que o Enem seja o único critério."

Maria Carolina Silva de Matos, de 16 anos, que acaba de ingressar no 2.º ano do ensino médio do Augusto Laranja, afirma que sua família optou pela escola também pela localização.

"Eu precisava de um colégio com foco nos vestibulares porque quero fazer Medicina em uma das universidades estaduais de São Paulo", conta Maria Carolina. "Essa é a melhor escola no Enem do meu bairro, e acho que esse é um indicativo de que o ensino é forte."

Supervalorização. Para o professor e consultor em educação Antonio José Lopes, os pais pressionam as escolas para melhorar o desempenho no ranking do Enem. "É fato que existem escolas que tentam manipular os resultados, mas o peso do ranking aumenta por conta da importância que as famílias dão a isso", afirma. "Pais que colocam o filho na educação infantil em determinada escola já pensando no vestibular são péssimos pais, porque não pensam no desenvolvimento afetivo dessas crianças."

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