PAULO LIEBERT/ESTADÃO
PAULO LIEBERT/ESTADÃO

Implementação com qualidade e equidade será maior desafio da base curricular do ensino médio

'A BNCC indica que, para além de aprender apenas conteúdos, é preciso desenvolver competências e habilidades de forma integrada'

Alice Ribeiro*, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2018 | 23h59

A parte do ensino médio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), determina as aprendizagens essenciais e obrigatórias que todos os alunos deverão desenvolver nessa etapa. Ela servirá como referência para a construção dos currículos das redes públicas e particulares de todo o País e sua aprovação é um passo importante para ajudar a garantir uma escola de qualidade e significativa para os jovens.

A BNCC coloca foco na educação integral dos alunos e indica que, para além de aprender apenas conteúdos, é preciso desenvolver competências e habilidades de forma integrada para que os jovens saiam da escola sabendo fazer uso dos conhecimentos adquiridos e mais preparados para concretizar seus projetos de vida.

O texto aprovado teve melhorias em relação ao que foi entregue pelo Ministério da Educação em abril, realizadas com base nas sugestões e leituras críticas coletadas pelo CNE. A descrição das habilidades nas áreas do conhecimento ficou mais clara no geral, e o uso de tecnologias digitais aparece como possibilidade de apoio para a aprendizagem, especialmente em Ciências da Natureza e em Matemática. Por outro lado, outros pontos avançaram menos. Em Linguagens, por exemplo, o texto poderia ter deixado mais compreensível o que se espera que os alunos aprendam em Arte e Educação Física, segundo especialistas consultados pelo Movimento pela Base.

Após a homologação pelo MEC, o grande desafio será garantir uma implementação de qualidade e com equidade, para que as propostas da BNCC de fato virem realidade. Neste contexto, considerando o novo modelo do Ensino Médio - que prevê que os currículos tenham, além de uma parte comum e obrigatória (referenciada na BNCC), também uma parte flexível (os itinerários formativos) -, o apoio do MEC será fundamental. Redes e escolas precisarão de recursos técnicos, financeiros e orientações claras para a construção dos currículos e formação de professores. Além disso, será preciso adequar os materiais didáticos e o Enem.

Durante o processo de construção dos novos currículos, será fundamental a escuta de toda a comunidade escolar, sobretudo dos alunos, para que seus anseios e necessidades contextualizem as aprendizagens.  Os conceitos e princípios da BNCC ajudam a dar um novo significado para a escola e podem contribuir para a superação das dificuldades enfrentadas no Ensino Médio.

*É SECRETÁRIA EXECUTIVA DO MOVIMENTO PELA BASE

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