Impacto de mudanças no Inclusp será tímido, afirmam especialistas

Especialistas em avaliação e professores de cursinhos dizem que as mudanças no Inclusp terão impactos tímidos, mesmo que possam contribuir para que  mais alunos façam o vestibular da Fuvest.

Carlos Lordelo, Estadão.edu

01 Abril 2011 | 09h31

 

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Para Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP, as alterações não mudam “substancial e radicalmente o padrão de aluno que entra  na universidade”. Ele questiona o conceito de mérito usado para atribuir o bônus. “De onde vem o mérito acadêmico de quem ingressa? Em grande parte, das  condições de vida que o aluno pode usufruir desde que nasceu.”

 

Douglas Belchior, coordenador da União de Núcleos de Pré-Vestibulares para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro Brasil), tem a mesma opinião. “A  USP deveria medir o candidato por sua capacidade. O mérito é fruto da preparação, que é desigual. Há uma postura reativa por parte da USP em relação ao clima  de inclusão que se instalou nas universidades de todo o País.”

 

Segundo frei David dos Santos, da entidade Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), a USP deveria avaliar os resultados de  políticas afirmativas de outras instituições de ensino superior. Ele também questiona o reitor João Grandino Rodas, que, em sua campanha para o cargo,  prometeu discutir a adoção de cotas. “Se ele chegou lá com essa ideia nova, o pensamento lógico depois dessas mudanças na concessão de bônus é que ele  desistiu de promover mudanças mais profundas.”

 

Elizabeth Balbachevsky, especialista em ensino superior da USP, reclama da falta de estudos para identificar o desempenho dos alunos beneficiados pelo  Inclusp. Para ela, o bônus poderá fazer com que, a longo prazo, a escola pública pareça mais atraente aos olhos da classe média. “Isso teria impactos  positivos, porque são pessoas mais exigentes e capazes de demandar qualidade.”

 

Na opinião da coordenadora pedagógica do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi, a educação pública brasileira deveria estar num patamar diferente. “O  aluno já chega aqui com histórico ruim e autoestima baixa”, conta. Ela afirma que, por isso, a extinção dos 3% de bônus concedidos automaticamente para  egressos da rede pública será prejudicial.

 

Roberto Medina de Oliveira, de 25 anos, aluno de cursinho e vestibulando de Direito, reclama das alterações. “É bom para quem está estudando, que pode  ter até 15%. Eu perdi 3% e só poderei chegar a, no máximo, 8%.”

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