Içami Tiba, psiquiatra e educador, morre aos 74 anos em São Paulo

Içami Tiba, psiquiatra e educador, morre aos 74 anos em São Paulo

Escritor de mais de 40 livros, Tiba vendeu mais de 4 milhões de exemplares e era referência em psicoterapia de crianças e famílias

Isabela Palhares e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2015 | 21h05

Atualizado às 23h

O educador e psiquiatra Içami Tiba, de 74 anos, morreu na tarde deste domingo, 2, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. Tiba estava internado desde o início do ano para tratamento de um câncer.

O enterro está marcado para as 16 horas de hoje, no Cemitério do Morumbi, zona sul da capital paulista. O educador deixa a mulher, Maria Natércia, os filhos Natércia, André e Luciana e dois netos.

Nascido em Tapiraí, no interior de São Paulo, Tiba era filho de imigrantes japoneses que vieram ao Brasil na década de 1930.

Ele se formou em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) em 1968, onde se especializou em Psiquiatria no Hospital das Clínicas. Ali, trabalhou como professor assistente por sete anos. Por mais 15 anos, deu aulas de Psicodrama de Adolescentes no Instituto Sedes Sapientiae, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo.

O médico também foi o primeiro presidente da Federação Brasileira de Psicodrama, na década de 1970, e diretor da Associação Internacional de Psicoterapia de Grupo, de 1997 a 2006.

O educador escreveu mais de 40 livros, que venderam 4 milhões de exemplares. O livro Quem Ama, Educa!, de 2002, foi seu maior sucesso. Também tiveram destaque Adolescentes: Quem Ama Educa! e Homem Cobra Mulher Polvo.

Considerado uma referência no debate sobre educação e na psicoterapia de adolescentes e família, Tiba era um dos palestrantes mais solicitados por professores, pais e empresas.

Em 2004, pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), com o objetivo de apontar o profissional de maior referência e admiração entre os colegas, Içami Tiba foi o primeiro nome lembrado pelos brasileiros e o terceiro mais admirado ou usado como referência na psicologia, atrás apenas de Sigmund Freud e Gustav Jung.

O educador atuou como colunista no Jornal da Tarde e tinha um programa semanal no canal de televisão Rede Vida.

Repercussão. Nas redes sociais, educadores, sociólogos, políticos e leitores manifestaram seu pesar pela morte do educador.

Repercussão. A ex-secretária municipal de Educação do Rio e atual diretora global de Educação do Banco Mundial (Bird), Claudia Costin foi uma das primeiras a prestar condolências. “É com grande tristeza que informo o falecimento, aos 74 anos, do grande educador e psiquiatra Dr. Içami Tiba. RIP”, escreveu ela.

O cientista político Rudá Guedes Ricci defendeu a maneira como Tiba assumia suas convicções. “Troquei mensagens com ele e, em determinado momento, começou a enveredar por um caminho de punição dos filhos que me assustou. Mas, cá entre nós, todos temos idiossincrasias, não? Içami se expôs, sempre, num país cheio de dissimulações e tentativas de sucesso fácil. Uma perda, portanto, importante. Fico pensativo: quem estamos formando para assumir posturas político educacionais como as que ele assumia?”


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