Hospital São Paulo retoma atendimento normal

O Pronto-Socorro do Hospital São Paulo (HSP) retomou, ontem, às 7 horas, o atendimento pleno à população, que estava limitado aos casos de emergência desde o dia 18 de novembro. A decisão foi tomada depois que o Governo Federal liberou uma verba de R$ 9,5 milhões para o hospital. Com o dinheiro, a direção do HSP vai poder pagar dívidas atrasadas com fornecedores e os salários dos funcionários. Em seu pronto-socorro, o HSP, que é ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atende em média de 1.300 a 1.500 pacientes diariamente, número que caiu para cerca de 120 a partir do dia 18 do mês passado. Segundo a direção do hospital, a restrição teve de ser adotada devido à falta de dinheiro em caixa para compra de materiais e medicamentos. Ontem, com a reabertura total do PS, foram atendidas, só entre 7h e 15h, 190 pessoas. Entre elas estava o funcionário de um lava-rápido, Manoel José da Silva, de 21 anos. Ele desmanchava uma parede de tijolos no seu local de trabalho, na Avenida Indianópolis, em Moema, na zona sul, quando parte dela caiu em cima de seu pé direito. "Não chegou a quebrar, mas doeu muito", contou, depois de ser atendido. "Demorou um pouco, mas fizeram um curativo." Ele, que não sabia que o PS só vinha atendendo a emergências, deu sorte. Se o acidente tivesse ocorrido na semana passada, Silva teria de procurar socorro em outro hospital. O HSP requisitava R$ 11,5 milhões originários de uma emenda parlamentar já aprovada no início do ano, mas cuja liberação foi vetada pela área econômica do governo federal. A Associação Brasileira dos Hospitais Universitários (Abrahue) cobrava uma emenda da Comissão de Seguridade Social, aprovada pelo Congresso Nacional para o orçamento de 2002, também no valor de R$ 11,5 milhões, que seriam repartidos entre os 45 Hospitais Universitários (HUs), que enfrentam problemas semelhantes aos do HSP. Após quase duas semanas de negociação, o governo liberou R$ 26 milhões para os 45 HUs, incluindo os R$ 9,5 milhões destinados HSP, o que garante o fechamento das contas do ano de 2002. O diretor-superintendente do HSP, José Roberto Ferraro, disse, por intermédio de sua Assessoria de Imprensa, que o PS vai "retomar as atividades, mas ainda em estado de alerta". Segundo ele, o dinheiro liberado não resolve o problema do hospital. De acordo com Ferraro, é preciso mudar o modelo de financiamento. Ele acha "mais justo" o modelo seguido pelo Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. O hospital é pago integralmente pelo que gasta no atendimento e, em contrapartida, é obrigado a cumprir metas como números de transplantes, internações, cirurgias, entre outras.

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2002 | 19h12

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