Hospitais de ponta querem formar mestres e doutores

Os hospitais cinco estrelas de São Paulo, Albert Einstein e Sírio-Libanês, firmaram parcerias com renomadas instituições de pesquisa no exterior. O Sírio com o Sloan Kettering Cancer Memorial e o Einstein, agora, com o MD Anderson Cancer Center. No ano passado, o Einstein inaugurou o seu Instituto de Estudos e Pesquisas e agora é a vez do Sírio-Libanês. Por trás desses megainvestimentos está a intenção declarada de, no médio prazo, oferecer cursos de mestrado e doutorado.O modelo é o mesmo do Hospital do Câncer, que não é ligado a nenhuma faculdade de Medicina e mantém uma parceria bem-sucedida com o Instituto Ludwig. Está entre os melhores cursos de pós-graduação do País e seu objetivo é ter o melhor.O Sírio-Libanês investiu R$ 20 milhões no seu Instituto de Estudos e Pesquisas (IEP), com área de 5.800 m², um espaço suntuoso, com um anfiteatro para 440 pessoas e quatro auditórios que, somados, podem receber 360 pessoas, equipados com o que há de mais moderno para a realização de simpósios, conferências e congressos. ?Hoje nós realizamos 45 cursos e dois simpósios por ano, mas com as novas instalações o objetivo é ampliar esse número e promover cursos mais longos para formação e atualização profissional?, explica Roberto Padilha, coordenador do IEP.Difundir conhecimentoDe acordo com ele, o Sírio-Libanês está em negociações com hospitais públicos também para firmar parcerias na área de pesquisa e treinamento. ?Quando você tem tecnologia e pessoal altamente qualificado, é natural passar a produzir e difundir conhecimento. Isso melhora a assimilação de novas técnicas e a introdução de drogas de última geração?, explica.Na lista de cursos que o IEP vai oferecer ? começando pelo de laparoscopia pediátrica já neste mês ? estão videocirurgia, microcirurgia, artroscopia, treinamento para situações de emergência - especialmente as cardiovasculares - e braquiterapia da próstata, a técnica que consiste na introdução de sementes de iodo radiativo para tratamento do câncer. Para isso, foram criados seis centros cirúrgicos superequipados no novo IEP, com entrada independente do hospital.TendênciaA escolha dessas técnicas tem um bom motivo. De acordo com Padilha, a tendência do futuro é que internações hospitalares só ocorram em casos realmente graves e complexos. A maioria dos atendimentos será de caráter ambulatorial, com cirurgias rápidas e programadas em que o paciente tem alta em poucos dias ou tratamentos em que ele permanece poucas horas no centro médico, como já ocorre hoje com quimio e radioterapia, por exemplo.Qualquer instituição que sonhe em oferecer pós-graduação tem, também, de investir muito em pesquisa, clínica e básica, com aumento do número de trabalhos publicados. O hospital deve concentrar seus esforços nas áreas de câncer e cardiologia. Por isso as instalações do IEP vão contar também com laboratórios e infra-estrutura para pesquisa em tecnologia cirúrgica.Einstein?Querer implantar pós-graduação é uma decorrência natural para quem tem equipamento de última geração e pessoal de primeira linha?, diz Carlos Alberto Moreira Filho, coordenador do Centro de Pesquisas Experimentais do Einstein. O hospital promove 80 cursos anuais, trabalha com pesquisa clínica e básica e participa do Genoma Clínico e do Genoma Vírus, com apoio da Fapesp, além de manter convênios de cooperação com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e com o Instituto de Ciências Biológicas da USP.?O mundo globalizado exige esse maior intercâmbio, tanto por motivos econômicos como de pesquisa?, diz Paulo Hoff, vice-chefe do departamento de oncologia gastrointestinal do MD Anderson Cancer Center, do Texas, um dos mais importantes do mundo. O MD Anderson atende 60 mil pacientes por ano e conta com um orçamento anual de US$ 1,7 bilhão, com US$ 400 milhões só para pesquisa.O Einstein e o Anderson têm agora uma parceria para ter segunda opinião sobre tratamentos, intercâmbio de profissionais e até de pacientes. ?O MD Anderson recebe muitos pacientes brasileiros e tem interesse em pesquisa de alguns tipos de câncer que não são comuns nos Estados Unidos, como os de cabeça e pescoço e o de colo de útero, que lá foi praticamente erradicado?, diz.

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