Hospitais de ponta investem em educação

Graduação, mestrado, doutorado e especializações são oferecidos pelo Einstein e pelo Sírio

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado, Estadão.edu

25 Março 2014 | 03h00

Hospitais de ponta de São Paulo estão aumentando o investimento em educação. Diferentemente das instituições que implementam cursos nas áreas médicas e precisam abrir hospitais-escola, essas instituições já nascem com a infraestrutura completa. Profissionais da área, porém, temem que o acesso à profissão fique ainda mais restrito à elite.

A entrada do Hospital Israelita Albert Einstein na área educacional se deu nos anos 1990, com a criação de um curso técnico e de uma graduação em Enfermagem. Em 2004, o hospital lançou uma pós-graduação latu sensu e, neste ano, passou a oferecer mestrado profissional em Enfermagem.

"A área de educação vem crescendo e se tornando cada vez mais prioritária na instituição", afirma Felipe Spinelli de Carvalho, diretor de ensino do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IEP). "Tivemos aprovados dois mestrados para médicos, um acadêmico e outro profissional, além do doutorado, que devem ser abertos até o meio do ano."

Já o Hospital Sírio-Libanês começou a oferecer cursos de especialização em 2005 e hoje também tem mestrado e doutorado. As especializações se expandiram e, graças ao modelo a distância, chegam a todos os Estados – são 10 mil alunos em 40 polos. Entre as especializações presenciais estão algumas ofertadas apenas pelo Sírio, como em Neurointensivismo e em Videocirurgia.

"Temos um grau de especificidade que nos permite oferecer cursos exclusivos", afirma Roberto Padilha, diretor de ensino do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (foto).

O ingresso dos hospitais na capacitação de profissionais se deu, segundo as próprias instituições, para aumentar a qualidade do ensino e garantir o aprendizado de novas tecnologias para atendimentos específicos. "Se a universidade suprisse satisfatoriamente as necessidades do hospital dificilmente entraríamos nessa empreitada", afirma Padilha.

Para o diretor de ensino do instituto do Sírio-Libanês, as aulas oferecidas pela entidade se diferenciam das que há nas universidades em geral porque são mais críticas. "O diferencial é a metodologia. Há reflexão em cima da prática."

Carvalho destaca que o objetivo do Einstein é compartilhar o conhecimento da instituição com a comunidade. "Não queremos deixá-lo apenas aqui dentro. Queremos estar constantemente atualizados com práticas de ponta."

A enfermeira Juliana Roberta de Castro de Souza, de 28 anos, trabalha na área de oncologia do Sírio-Libanês e faz a especialização Educação na Saúde para Preceptores, no próprio Sírio. Esta é a quarta especialização de Juliana – três delas foram feitas em instituições ligadas a hospitais.

"Há ganhos, pois existe uma maior integração com o meu trabalho e o corpo docente, por estar ligado à prática profissional, é mais capacitado", afirma Juliana.

Mensalidade. Para o presidente do comitê especial do MEC para formação em saúde, Henry Campos, que é vice-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFCE), é preciso que os hospitais tenham um "olhar social" e não sejam voltados apenas para a elite econômica, que tem condições de arcar com elevados valores.

"A universidade pública adota o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tem sistema de cotas, que estão democratizando e mudando o perfil dos alunos. Esses novos cursos precisam ter um diferencial na oferta de vagas para não elitizar ainda mais o acesso à profissão", defende.

Além disso, Campos considera que a graduação precisa focar na melhoria da saúde da população. "Não sou contra a criação de cursos privados, mas é preciso o mesmo rigor que se tem com os públicos. É preciso analisar os processos, a estrutura, ter critérios de avaliação e indicadores de acompanhamento", afirma.

O diretor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antônio Carlos Lopes, defende a preocupação com a saúde pública e estímulo para que os futuros profissionais tenham educação e formação médica prática.

"Sou favorável à abertura de mais escolas públicas, não privadas. Não basta ser um hospital famoso, é necessário ter preocupação com a educação", afirma Lopes.

Expansão futura. O próximo passo do IEP será a criação de um curso de graduação de Medicina. Para isso, o instituto aguarda a divulgação de um edital do Ministério da Educação (MEC) para solicitar a abertura do curso.

"A expectativa é de que esse documento saia ainda neste semestre. O vestibular está previsto para o fim do ano e o curso deve começar em 2015", diz Carvalho. O MEC confirma que lançará um edital com foco nos hospitais que têm interesse em oferecer graduações, mas não informou quais serão os parâmetros adotados para selecioná-los.

O Sírio não pretende abrir graduação em Medicina nos próximos anos, mas destaca a parceria com universidades na promoção de estágios.

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