Hora de reavaliar estratégias

Jovens de escolas de redes privada e pública comentam o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista e dizem como devem se preparar para o vestibular deste ano

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

29 Janeiro 2013 | 00h34

André Batlouni, de 17 anos, é aluno do Móbile e quer passar em Economia na FEA

"Reservar vagas para alunos de escolas públicas é uma forma de dar chance a quem está a fim de estudar. Mas sou contra

a cota racial. Favorece o preconceito porque pretos, pardos e indígenas terão privilégios. Gostei da ideia do college como uma maneira de deixar o aluno da rede pública no mesmo nível do da particular. Assim ele acompanhará melhor a faculdade. Sei que vou precisar me esforçar ainda mais este ano. Talvez fique nervoso no vestibular, mas faz parte. Já estou de olho no cursinho do colégio e sei que vou passar mais tempo com os livros. Quero entrar na USP. Se não der, talvez faça Insper ou FGV."

Caio Duarte, de 17, é aluno do Bandeirantes e quer estudar Direito na São Francisco

"É chato pensar que o governo está tratando as pessoas de maneira desigual, mas é preciso aceitar as cotas. Todo mundo sabe que o ensino público é ruim e o aluno tem dificuldade para entrar na faculdade. Só discordo da cota racial. Não quero ficar olhando a concorrência, senão vou pirar. Pretendo manter o ritmo de estudos e rever o conteúdo de matemática do 1.º ano na turma especial para FGV do meu colégio."

Paula Libório, de 16, é aluna do Santo Américo e vai prestar vestibular para Medicina

"Não achava que as cotas valeriam já para este ano. Fiquei assustada quando soube. Se era difícil entrar antes, imagine agora. Vou precisar me esforçar mais e aproveitar melhor as aulas do colégio. Caso não consiga passar na Pinheiros, talvez vá para alguma federal, até porque não sou de São Paulo. Para mim, o xis da questão das cotas é o mérito. Até que ponto a medida é efetiva? Por isso acredito na necessidade de reformar o ensino público, com valorização dos professores e mais formas de estimular o jovem a aprender. Enquanto não melhorar a base, vamos continuar colhendo os frutos de uma educação mal estruturada."

 

 

Thalita Lins, de 17, é estudante do IFSP e concorre a vaga em Engenharia

"O vestibulinho do instituto federal vai bombar. Aqui é um lugar onde você aprende de fato e a escola dá direito a participar do vestibular como cotista. Ainda assim, acho muito reservar 50% das vagas. Não tenho interesse no college porque acho que entrar na USP ou na Unicamp vai abrir melhores oportunidades."

Luana Andrade, de 20, é ex-aluna de escola estadual e foi reprovada 3 vezes na Fuvest

"As cotas são válidas por ajudar alunos de escolas públicas que querem cursar uma boa faculdade. Fiquei a 1 ponto de ser chamada para a 2.ª fase da última Fuvest e agora terei mais chance de passar. Vou prestar o vestibular de novo, mas já chega de cursinho. Vou continuar trabalhando e começar a estudar na Unicsul, onde acabo de ganhar bolsa do ProUni."

Daniel Silva, de 17, é aluno de Etec e vai prestar para Sistemas da Informação

"Sou negro e não concordo com a cota racial. Mostra que o branco tem mais capacidade de aprender do que eu. Seria injusto passar no vestibular por causa da cor da minha pele mesmo que um branco da rede pública tire nota melhor. O problema está na escola. Muitos alunos não têm educação doméstica e às vezes falta incentivo de professores para que o pessoal estude. O governo tenta melhorar a situação da educação criando Etecs, mas a qualidade do ensino têm caído no Estado."

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