Antonio Scarpinetti/Divulgação
Antonio Scarpinetti/Divulgação

Histórias de talento e superação dos aprovados na Unicamp

Universidade aplica provas em 20 cidades do País em busca dos melhores alunos

Portal da Unicamp,

07 Março 2013 | 19h26

A Unicamp passou a realizar seu vestibular próprio em 1987 e, desde então, busca alunos talentosos em todo o País. Com provas aplicadas em diversas regiões, a universidade atrai todos os anos inscrições de aproximadamente 4 mil estudantes de fora do Estado de São Paulo - o que representa de 6 a 7% do total de candidatos. De nove cidades em 1987, o exame passou a ser aplicado em 20 cidades do Brasil, entre elas as capitais Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador e São Paulo.

 

A procura por uma vaga na universidade registrou crescimento expressivo. Eram 13.260 inscritos em 1987, ante 67.403 no último vestibular. O aumento também se refletiu nos cursos noturnos.

 

Os estudantes vêm atraídos por vagas em diferentes áreas do conhecimento e a Unicamp responde a essa demanda através do aumento do número de vagas oferecidas. Elas passaram de 1.380 em 1987 para 3.320 no último exame, o que corresponde a um crescimento de quase 150%. A essa marca, somam-se ainda as 120 vagas criadas com a implantação, em 2011, do Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis), cuja primeira turma acaba de se formar.

 

O Profis é voltado aos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas de Campinas. A seleção não é feita através do vestibular, mas com base nas notas do Enem. O currículo inclui disciplinas das áreas de Ciências Humanas, Biológicas, Exatas e Tecnológicas, com o objetivo de oferecer aos alunos uma visão integrada do mundo contemporâneo. Os concluintes podem escolher, por mérito e sem vestibular, um curso de graduação da Unicamp.

 

Mais do que estatísticas, porém, os calouros que estão chegando à Unicamp, pelo vestibular ou pelo Profis, representam histórias de vida recheadas de  superação e talento. É o caso, por exemplo, do cearense Airton Cesar Pinheiro de Menezes, que aos 17 anos foi o terceiro colocado entre os ingressantes da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP). “Fiquei surpreso com a colocação, mas a verdade é que estudei pra caramba, passei noites sem dormir. Comecei a pensar na Unicamp há cinco anos, mas ainda não sabia que a faculdade era uma referência no Brasil e na América Latina.”

 

Mais perto do vestibular, Airton correu atrás dos detalhes sobre a unidade de Piracicaba e se deu conta do nível dos professores e dos equipamentos de ponta. “Então me decidi, já de olho no maior possibilidade de emprego e também na qualidade de vida. Espero um curso bastante corrido, um ritmo muito diferente do ensino médio – fiz o último ano no Colégio Farias Brito, o melhor do Ceará. Ainda é cedo para decidir se fico no Sul ou volto para Fortaleza, onde o mercado também está saturado. Estou aberto às duas possibilidades.”

 

Angela Cristina Gomes, de 20 anos, será uma das cinco primeiras estudantes a cursar Medicina na Unicamp sem ter sido submetida ao tradicional vestibular. Privilégio conquistado com muito esforço como uma das alunas da primeira turma do Profis. “Acho que trabalhar no SUS (Sistema Único de Saúde) é a retribuição que os médicos formados pela Unicamp podem dar à sociedade. Imagino que a carreira na medicina deva ser bastante puxada, mas será recompensadora. É o retorno para as pessoas que financiaram meus estudos, já que a Unicamp é uma universidade publica”, diz a caloura, que cursou o ensino médio na Escola Estadual Maria Julieta de Godoy Cartesani, do bairro Vila Maria Eugênia, em Campinas.

 

Angela foi selecionada pelo Profis com base em suas notas do Enem. “Quando entrei no Profis, não sabia o que queria. Na verdade, esse foi um dos motivos por ter me interessado pelo programa: teria mais dois anos para fazer a escolha. Além disso, teria contato com muitos cursos da Unicamp. No Profis, gostei bastante da área biológica e fiz uma iniciação cientifica na química. Tive muito contato com os farmacêuticos e me interessei pela saúde. Resolvi optar por Medicina, imagino que será uma grande oportunidade.”

 

Outro que está realizando o sonho de entrar na Unicamp é Benedito Perez Filho, de 48 anos. Por causa do gosto pela química, o calouro ganhou o apelido de “Substância” dos jovens colegas do curso de licenciatura integrada em Química e Física da Faculdade de Educação. Ele passou duas vezes no vestibular para este mesmo curso, em 2011 e 2012. “No ano passado, não fui bem. Não tinha aquela pegada para estar frequentando a universidade e, com medo de ser jubilado futuramente, resolvi fazer outro vestibular e me preparar melhor para encarar as disciplinas de peso, como de cálculo.”

 

Benedito começou a se interessar por química no curso de materiais plásticos do Colégio Técnico de Campinas, da Unicamp (Cotuca). Mas logo percebeu a dificuldade de atuar na área. “Eu era muito mais velho que o resto do pessoal. E não podia largar o trabalho de vigilante para fazer estágio porque naquele momento já estava casado e com uma filha recém-nascida.”

 

Por outro lado, observando os professores do Cotuca e vivenciando um ambiente diferenciado que desconhecia até então, veio em "Substância" o desejo de dar aulas. “Via como era bacana. A partir daí, já comecei a direcionar meus estudos para tentar a Unicamp. No fundo, não achava que era possível, era um sonho. E pensava por que tinha deixado de estudar antes.”

 

Sentindo necessidade de aprender mais sobre química, Benedito entrou para o curso técnico da Etecap e o gosto aumentou. “O problema é que só sabia química. Meu conhecimento nas outras matérias para prestar o vestibular era quase nenhum. Procurando um cursinho popular, conheci o projeto Herbert de Souza e lá passei a achar que dava para entrar na Unicamp. Mas ainda demorou bastante: em 2007, nem passei da primeira fase; em 2008 e 2009, fiquei na lista de espera sem ser chamado; em 2010, mudei a primeira opção pra Biologia e também não deu.”

 

Depois do “vacilo” de 2011, quando finalmente conquistou a vaga, mas pagou pelas notas baixas no início do curso (ele frequentou os dois semestres), "Substância" promete que tudo vai ser diferente. “Eu quero concluir esse curso que, para mim, foi tão difícil alcançar. Até a formatura estarei em idade de me aposentar como vigilante e, por isso, minha única pretensão é dar aulas de química, como já estou fazendo no cursinho Herbert de Souza. Estou muito feliz, não me arrependo nada de ter tomado esse caminho.”

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