Historiadora é a primeira mulher a dirigir Harvard

A Universidade Harvard designou, neste domingo, a historiadora Drew Gilpin Faust como presidente, a primeira mulher a ocupar o cargo. A nomeação encerra uma longa busca para encontrar um sucessor para Lawrence Summers, ex-secretário de Tesouro do governo de Bill Clinton, e sua tumultuada gestão de cinco anos. A diretoria de supervisores da renomada universidade elegeu Drew, historiadora especialista na Guerra Civil americana, como o 28º presidente da instituição. Drew, que foi escolhida por um comitê, assume dois anos depois de o então reitor Summers dizer que as mulheres não têm aptidão para a ciência e a matemática, o que explicaria uma representação feminina inferior nessas áreas. Seu discurso provocou polêmica em todo o mundo e levou à sua demissão. Professores da universidade, particularmente mulheres, receberam a decisão com euforia. ?Harvard espera por isso há muito tempo - desde 1636?, afirmou Patricia Albjerg Graham, professora emérita de história da educação. Ela conta que, em 1972, enquanto fazia o pós-doutorado, não pôde passar pela porta principal da faculdade ou usar o salão de jantar.PerfilDrew é autora de cinco livros e dirige o Instituto Radcliffe de Estudos Avançados, a menor das faculdades de Harvard e remanescente da Faculdade Radcliffe, onde só estudavam mulheres. Boa parte das pesquisas realizadas no instituto ou patrocinadas por ele enfatiza mulheres, gêneros e sociedade.A historiadora surgiu como candidata à reitoria nas últimas semanas, especialmente após o bioquímico Thomas R. Cech, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1989, anunciar publicamente sua saída da eleição.Para Richard Bradley, autor de um livro sobre a universidade, existem dúvidas legítimas sobre as qualificações de Drew, como a falta de experiência para dirigir uma instituição do porte de Harvard. ?A real importância é que se trata de uma escolha cautelosa, voltada a curar as feridas deixadas pelos anos de Summers e restabelecer a liderança de Harvard o mais rápido possível?, diz. ?O fato de Harvard não conseguir encontrar uma pessoa que satisfaça a todos sugere a dificuldade que a universidade sente de preencher a posição.?A Universidade Harvard é uma das mais influentes dos Estados Unidos e do mundo. Ela tem 12 faculdades e um orçamento anual de US$ 3 bilhões, mais os quase US$ 30 bilhões recebidos em doações.

Agencia Estado,

11 de fevereiro de 2007 | 19h18

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