História da USP é revelada nas páginas do 'Estado'

Pesquisa da universidade analisa 1,2 mil menções feitas pelo jornal à instituição; Acervo registra 'USP' 83 mil vezes em 80 anos

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2014 | 11h20

SÃO PAULO - Não é de hoje que a Universidade de São Paulo (USP) tem destaque no jornal, seja por seu protagonismo científico, importância histórica ou pelas crises financeiras - como a que vive agora. A sigla da universidade já apareceu mais de 83 mil vezes no Estado, de acordo com busca no Acervo. Mais de 1,2 mil dessas menções foram analisadas em uma pesquisa desenvolvida na USP com o objetivo de entender a história da instituição, que completou 80 anos em janeiro.

A USP nasceu em 1934 do ideal do jornalista Julio de Mesquita Filho, então diretor do Estado - que já defendia uma reforma do ensino havia cerca de dez anos. "Escolhemos analisar as reportagens do Estado por causa da ligação histórica do jornal com a criação da universidade", explica Adriana Cruz, assessora de imprensa da instituição e uma das quatro autoras do estudo. O trabalho USP 80 anos: A reconstrução da história da universidade pelas páginas do jornal O Estado de S. Paulo foi apresentado para título de especialização em Gestão Pública pela Escola Técnica e de Gestão da USP.

Segundo Adriana, a análise mostrou que certos temas da universidade se repetem no noticiário desde a década de 1930. A combinação de greves, manifestações e crise financeira, que parece tão atual, aparece com frequência há décadas. "A própria ênfase que há em certos assuntos, como a Cidade Universitária, a relação dela com a cidade, a questão orçamentária, aparece desde o início."

Em 9 de junho de 1937, por exemplo, o Estado publicou notícia sobre a primeira manifestação de estudantes - de Medicina. O jornal foi o primeiro a publicar, em novembro de 1943, a planta do que seria a Cidade Universitária, no Butantã. O bairro da zona oeste era, na época, uma bucólica fazenda a 10 quilômetros do centro.

Também na década de 1940, a falta de recursos era noticiada, o que fez com as obras do novo câmpus atrasassem. O tema voltaria às páginas do jornal em todas as décadas seguintes. "Em 3 de setembro de 1976, o jornal publicou 'Faltam verbas para a USP', relatando a difícil situação financeira pela qual passava a universidade", anota o estudo.

Consolidação. O professor e ex-reitor José Goldemberg ressalta que a cobertura do jornal nos anos iniciais da universidade foi decisiva para sua consolidação. "A USP pôde crescer como uma universidade laica, de elevado nível intelectual, mesmo estando no período Vargas e de grande influência da Igreja."

O ex-reitor analisa que, nos últimos anos, ganharam destaque notícias mais "circunstanciais", como casos de violência no câmpus, em detrimento dos temas científicos. "Mas a universidade cresceu, e não é possível ignorar os acontecimentos. A cobertura científica do Estado sempre foi muito boa e deu oportunidade para que a universidade mostrasse sua contribuição."

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