André Lessa/AE
André Lessa/AE

Haddad nega ter ignorado aviso da PF sobre vazamento de questões do Enem

Ministro da Educação diz que MEC tomou cuidado na hora de anular 14 perguntas da prova

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2011 | 22h44

SÃO PAULO - Em entrevista ao Estado, o Ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), negou que tenha ignorado informação da Polícia Federal em relação à extensão do vazamento do Enem, conforme noticiado na edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo.

O MEC ignorou a PF?

Quem provocou a PF para investigar essa hipótese fomos nós. Como o MEC pode ignorar uma informação que pediu? Os contatos foram permanentes, o Inep com o delegado no Ceará, eu com o ministro da Justiça.

Quando houve certeza de que os alunos do cursinho tiveram acesso às questões?

A dificuldade é que, quando um concluinte se inscreve para o Enem, ele informa seu colégio. Mas quando não é, no caso de aluno de cursinho, essa tela não abre. Não tínhamos como saber quem era do cursinho. Pedimos à escola (no dia 28 de outubro, segundo o MEC) que entregasse a lista do cursinho e, simultaneamente, à PF que investigasse, para ter certeza de que o mesmo professor (que teria entregue o caderno de questões) dava aula no cursinho e na escola.

Por que a decisão da extensão veio com esse prazo?

A escola não nos mandava a lista, o que só ocorreu em 5 de dezembro, quando o colégio entregou a relação em papel. O que o Inep fez nesse tempo foi checar nome por nome desses 500 alunos, para evitar homônimos. Precisávamos ter a segurança de que, ao se estender a medida, não cometeríamos injustiças. Não se pode tomar uma providência dessa para ficar bem diante da opinião pública às custas de injustiça com estudantes. Depois, foi terminar os cálculos das notas. Tudo isso terminou ontem (terça-feira).

Reportagens e relatos na internet apontavam que alunos do cursinho teriam recebido o mesmo material. Por que aguardar a apuração da PF?

Tínhamos depoimento de alguns pais e fomos colhendo outros subsídios, com informações de redes sociais, e vamos batendo informações. Um aluno do cursinho falou na internet que teve acesso, depois eu recebo a lista e vejo que bate, é assim. Estávamos preocupados em não prejudicar ninguém.

E por que não esperar o fim do inquérito para tomar a decisão, como o MEC repetiu que faria?

Entendemos que esse acompanhamento era suficiente. Os cálculos das notas também já estavam feitos. E tem a questão do tempo. Temos problemas no processo quando a divulgação do resultado sai junto com a abertura do Sisu. Porque o sistema fica sobrecarregado. A maioria dos estudantes não anota a senha, precisam recuperá-la, e ao mesmo tempo se inscrever no mesmo ambiente. Por isso decidimos que, ao ficar pronto, divulgaríamos as notas e, na sequência, eles fazem uma inscrição mais tranquila.

Neste ano, o pré-teste se mostrou um ponto sensível da prova?

É verdade. Vamos ter de dar resposta a isso, também ao banco de itens. Já temos uma comissão para resolver essa questão.

O desfecho agradou ao senhor?

Grandes países têm exames nacionais e já enfrentaram problemas. E os países vão consolidando a melhor maneira de tratar isso. Nesses dois anos, nossas soluções foram absolutamente corretas e a Justiça deu ganho de causa às teses do MEC. Isso fortalece o Enem, porque mostra que, para cada incidente, temos tido a solução adequada.

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