José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Haddad extingue Prova São Paulo e opta por avaliação nacional

Criado pela gestão Kassab, exame municipal era realizado desde 2007; Prova Brasil avalia português, matemática e, a partir deste ano, ciências

Estadão.edu,

12 Abril 2013 | 09h21

O nível de aprendizagem dos alunos da rede municipal da cidade de São Paulo não será mais avaliado pela Prova São Paulo. A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou que o exame será extinto a partir deste ano para ser substituído pela Prova Brasil - exame em larga escala organizado pelo Ministério da Educação (MEC). O indicador municipal foi criado em 2007 pela gestão anterior, do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

 

"A decisão não tem nada a ver com a política. O nosso partido é a educação. A questão é que não se conseguiu com o exame a produção coerente e regular de resultados", diz o secretário municipal de Educação, Cesar Callegari.

 

Segundo Callegari, o "patrimônio de conhecimento" produzido pela Prova São Paulo já foi "apropriado" pela rede. Os resultados do exame de 2012, com o rendimento individual por aluno, mesmo não tendo sido oficialmente divulgados, já foram encaminhados para as escolas. A secretaria pretende incentivar a elaboração de mais avaliações em pequena escala, mais regulares, sob responsabilidade de cada escola, incluindo outras áreas de conhecimento como história, geografia e ciências.

 

Decisão prevista

 

Em entrevista ao Estado no dia 26 de fevereiro, o secretário já tinha antecipado que a Prova São Paulo não seria mais usada como referência. "O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que considera os resultados da Prova Brasil) será nosso principal critério de mensuração da qualidade de educação", afirmou Callegari na ocasião. Já era previsto desde o início do mandato a substituição dos exames.

 

A ideia da secretaria detalhada ao Estado à época era a de que os professores municipais trabalhem na sala de aula a matriz da Prova Brasil - cujo resultado compõe, com a taxa de aprovação, o Ideb. "Ainda vamos trabalhar para fazer com que os professores se apropriem dos dados", disse ele, sem detalhar como isso vai ocorrer.

 

"Os governos veem as avaliações como um fim, não como um meio capaz de produzir ações efetivas", afirmou no mês passado Nilson José Machado, professor da Faculdade de Educação da USP, quando foram divulgados os resultados do Saresp, a avaliação externa da rede estadual. Machado enxerga como um problema a "falta de continuidade de políticas de educação" em todos os níveis de governo.

 

A Prova São Paulo avaliava de 300 a 350 mil alunos por ano a um custo de aproximadamente R$ 6,3 milhões por edição.

 

Principais diferenças

 

A Prova São Paulo, mesmo podendo ser feita a cada dois anos, era realizada anualmente desde 2007, enquanto que o exame nacional é aplicado a cada dois anos. A Avaliação Nacional do Rendimento Escolar, mais conhecida como Prova Brasil, foi criada em 2005. Além de português e matemática, o exame extinto também avaliava os alunos na área de ciências desde 2011. Essa área de conhecimento só será avaliada na Prova Brasil a partir deste ano, e não será contabilizada no cálculo do Ideb, conforme antecipado pelo Estado no dia 6 de fevereiro.

 

* Atualizada às 16h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.