Andre Dusek/AE
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Haddad defende Enem obrigatório para quem termina ensino médio

Proposta já é discutida há algum tempo por especialistas em avaliação escolar

Estadão.edu, com Agência Brasil

13 Setembro 2011 | 11h23

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu nesta segunda-feira, 12, a obrigatoriedade do Enem para os concluintes do ensino médio. Atualmente a participação no exame é voluntária. No ano passado, 56% dos alunos que estavam terminando a última etapa da educação básica fizeram a prova. Outras avaliações aplicadas pelo Ministério da Educação, como a Prova Brasil, são universais.

 

“Seria uma atividade obrigatória para a conclusão dos estudos. Não significa que o estudante precisaria atingir uma nota específica, mas a mera participação (seria suficiente). Seria como o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em que todos os alunos são convocados a fazer a prova e obrigados a participar”, disse. Haddad voltou a lembrar que o Congresso Nacional discute a integração do Enem ao sistema de avaliação da educação básica, o que o tornaria um componente curricular obrigatório.

 

O ministro avaliou que “ainda nesta década” o Enem deve acabar com os vestibulares. Desde 2009, a prova passou a ser usada como critério de seleção por parte das universidades públicas, o que fez crescer o número de inscritos no exame. Para o segundo semestre de 2011, foram oferecidas 26 mil vagas em 48 instituições públicas de ensino superior, por meio do Enem, no Sistema de Seleção Unificado (Sisu).

 

“Vai ser natural esse movimento das universidades de abrirem mão de algo que não diz respeito a elas (cuidar dos exames de seleção). Em lugar nenhum do mundo é assim. A evolução tem sido muito boa e nosso prognóstico é que a cada ano haverá mais vagas para ingresso no Sisu e no ProUni (Programa Universidade para Todos)", disse Haddad.

 

A proposta de tornar o Enem obrigatório já é discutida há algum tempo por especialistas em avaliação escolar. Ouvido pelo Estadão.edu horas antes da entrevista do ministro, o consultor da Fundação Cesgranrio Ruben Klein defendeu a mudança como a melhor forma de eliminar distorções na análise dos dados do exame.

 

"Mas tem de deixar claro para a sociedade que o Enem vai servir como um instrumento de avaliação da qualidade da educação, não vai impedir ninguém de se formar no ensino médio", disse. "Nossas escolas são ruins há décadas: se o exame de repente servisse para reprovações em massa, você pode imaginar o risco de caos social que isso causaria."

 

Para o consultor da Cesgranrio, hoje falta uma referência básica quando se analisa dados do Enem: saber quantos dos inscritos são, de fato, concluintes do ensino médio. A diferença de ordens de grandeza é imensa. No Enem do ano passado, houve 4,6 milhões de inscritos para um número estimado de 2,2 milhões de alunos no 3.º ano do médio no País. Tanto que a faixa etária com maior número de candidatos (1,5 milhão) ia de 21 a 30 anos.

 

Isso ocorre porque o Enem atende a uma clientela muito mais ampla que os adolescentes a caminho da universidade. Garante acesso às bolsas do ProUni e serve como diploma de conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos.

 

"O Enem não é amostra de nada, porque o candidato se autosseleciona para a prova", diz Klein. "Agora o exame é comparável de um ano para outro em termos de nota, mas não em termos demográficos."

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