Silvana Garzarro/Estadão
Silvana Garzarro/Estadão

Haddad chama Chalita para ser secretário da Educação

Entrada do peemedebista na Prefeitura de São Paulo é o primeiro passo de uma articulação política para campanha municipal de 2016

Adriana Ferraz, Diego Zanchetta e Ricardo Chapola , O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2015 | 17h46

Atualizada às 23h50

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), convidou o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB), ex-secretário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), para comandar a Educação. A pasta atualmente é chefiada por Cesar Callegari, que não havia sido informado da troca. Chalita, cujo mandato na Câmara termina no dia 1.º de fevereiro, será confirmado no posto na segunda-feira.

As conversas entre Haddad e Chalita começaram há cerca de um mês. A chegada do ex-aliado dos tucanos ao alto escalão municipal é o primeiro passo da articulação política para a campanha de 2016, quando o PT deverá lançar a dobradinha Haddad/Chalita. A aproximação de petista e peemedebista faz com que uma possível candidatura de Paulo Skaf (PMDB) à Prefeitura perca força.

Candidato a prefeito em 2012, Chalita apoiou Haddad no segundo turno, quando José Serra (PSDB) foi derrotado. Na época, ele aproximou o petista a setores da Igreja Católica. O deputado federal, porém, desapareceu do cenário político após ter seu nome envolvido em denúncias (mais informações nesta página). Chalita foi eleito vereador na capital, em 2008. Com doutorado em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica, ele é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Haddad vai comunicar Callegari sobre a substituição neste domingo. O atual secretário, que está à frente da construção de 20 Centros Educacionais Unificados (CEUs), está viajando em férias. Ele foi informado sobre a troca pelo Estado. “Isso é novidade para mim”, afirmou. “Não estou sabendo de nada.”

Aliados. Legenda do ex-prefeito e ministro das Cidades, Gilberto Kassab, o PSD deve ganhar mais espaço no governo municipal, após a reforma do secretariado prevista para ser realizada nos próximos dias. Haddad está disposto a entregar a Secretaria de Segurança Urbana e a São Paulo Turismo (SPTuris) ao partido. Ele já tem uma lista de nomes, encabeçada pelo vereador Marco Aurélio Cunha. Petistas consideram o parlamentar, ligado ao São Paulo Futebol Clube, ideal para chefiar a SPTuris.

Kassab, no entanto, reivindica a Coordenação das Subprefeituras e a Habitação, cujo orçamento para este ano pode ultrapassar os R$ 2 bilhões. Entidades sociais, especialmente o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), já declararam descontentamento com a escolha de Kassab para o ministério de Dilma Rousseff e ameaçam resistir à sua influência na Prefeitura, com novos protestos de rua e novas ocupações.

Campeão de votos na zona sul da capital paulista, o deputado federal eleito Antonio Goulart é o nome indicado pelo PSD para assumir a maior secretaria que for oferecida. Ele também tem dito a aliados que trocaria Brasília pelo comando do Anhembi. Para a Segurança Urbana, Kassab deverá indicar o deputado estadual Coronel Camilo, ex-comandante-geral da Polícia Militar nas gestões de Serra e de Alckmin. 

Alheios às disputas internas, ao menos oficialmente, Kassab e Haddad desconversam quando o tema é a entrada do PSD no governo. O ministro diz que a postura do partido é de “cooperação” e o prefeito nega que ambos tenham tocado no assunto.

Mais mudanças. Haddad deve realizar mudanças também na Controladoria-Geral do Município (CGM) e na Cultura, ambas vagas após as saídas de Mario Spinelli e Juca Ferreira, respectivamente. Outra área em que Haddad pode trocar o comando é a Secretaria de Negócios Jurídicos. / COLABORARAM VICTOR VIEIRA e PAULO SALDANA

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