Há mais cinqüentões nas universidades

A idade dos calouros está aumentando nas universidade do País. Os primeiros resultados do Censo do Ensino Superior, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que a faixa etária dos ingressos que mais cresceu foi a de 50 anos ou mais. O crescimento se deu entre os anos de 2000 e 2001, mas representa os números mais recentes do MEC.A quantidade de novos universitários cinquentões aumentou de 8.709 para 10.721, variação de 23,1%. A média no País, levando em conta todas as idades, foi de 16,46%. Esta foi a primeira vez que o MEC tabulou os ingressos por faixa etária.No total, passaram a estudar em instituições do ensino superior no ano passado 1.206.273 brasileiros. Esses são apenas os calouros de 2001, ou seja, uma parcela da quantidade de universitários no País. Os resultados completos do censo serão divulgados nesta quarta-feira pelo MEC, mas os últimos números indicavam que havia cerca de 2,6 milhões de pessoas matriculadas no ensino superior brasileiro, mais de 60% em instituições privadas.O crescimento dos ingressos com 50 anos ou mais não surpreendeu a pesquisadora da Unesco e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGS) Maria Susana Soares. "Esses alunos buscam na universidade pessoas que estudam e pensam a nova realidade."Para Maria Susana, o objetivo não é necessariamente o diploma e sim a atualização, a reciclagem e também a vontade de saciar a curiosidade. "Ele se aposenta e volta a estudar." A professora acredita que boa parte desses estudantes optem pelas áreas de humanidades, que oferecem uma base cultural.Mas os número do MEC não detalham as escolhas. "Queria poder me defender melhor como cidadã e consumidora", diz Encarnacion Alfonso Lor, de 50 anos, que faz o primeiro ano no curso de Direito na UniFMU. Funcionária aposentada do Banco do Brasil, ela se diz maravilhada por "colocar o cérebro para funcionar".O desconforto inicial por fazer parte de uma sala com mais de cem jovens passou rápido. Hoje, Encarnacion já foi eleita representante da classe e ainda dá conselhos aos colegas. "Virei tia, mãe, amiga. A energia deles é tão grande que me sinto uma garota de novo."A convivência trouxe conseqüências também no desempenho na faculdade. Ela foi a quinta melhor aluna da instituição, que tem cerca de 6 mil estudantes."Quando fiz 30 anos de formada, resolvi voltar a estudar", diz a aluna de Psicologia Cecília Helena Di Rienzo Marrey, de 55 anos. Sua intenção é montar um consultório e, para isso, tem o apoio do marido e das filhas. "Acho que a idade me coloca até em vantagem no estudo da psicologia, por causa da vivência e da maturidade", diz Cecília, que formou-se em Letras e trabalhou como tradutora e professora de inglês."Com o seu crescimento, o ensino superior tornou-se cada vez mais necessário no mercado de trabalho", diz a presidente do Núcleo de Pesquisa do Ensino Superior da USP (Nupes), Eunice Durham. O aumento no número de ingressos mais velhos pode também acabar mudando as estatísticas dos maiores vestibulares do País.Atualmente, a Fuvest não tabula a idade dos estudantes aprovados no seu exame. No questionário respondido pelos vestibulandos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as opções de idade vão apenas de 17 até 23 anos ou mais.

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