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Há demanda por sustentabilidade ‘em todas as áreas’

Coordenadora de sustentabilidade relata a necessidade de se ter cursos para conselheiros, gerentes e recém-formados

Entrevista com

Monica Kruglianskas, professora da FIA Business School

Ocimara Balmant, especial para o Estadão

20 de junho de 2022 | 05h00

Quando falamos em ESG, a demanda por novas perspectivas e novas soluções é muito grande e muda o tempo todo. O que há dez ou cinco anos era necessário, hoje já mudou. Um cenário que requer profissionais em constante atualização e apaixonados pelo que fazem, afirma a professora Monica Kruglianskas, coordenadora de sustentabilidade da FIA Business School.

“As empresas precisam se preparar, fazer auditoria interna, ver se precisam melhorar e contar para os investidores qual o plano de ação. Para isso, precisam de gente capaz. Pessoas que entendam qual é a pergunta e qual é a resposta.”

Como está o mercado de trabalho relacionado à sustentabilidade?

Viemos de uma trajetória em que o trabalho com sustentabilidade demandava indivíduos de nível médio, que pudessem coletar dados e trazer para a gestão. Historicamente, ficava nesse domínio. Hoje, as empresas buscam alguém que possa liderar uma equipe inteira, alguém sofisticado para liderar relações com os stakeholders, entender o mundo dos negócios e, além de tudo, ter uma abordagem ética de como a companhia deve se portar.

É um público que se soma ao de nível médio, que segue necessário, certo?

Sim. A necessidade é em todos os níveis, desde júnior, como estagiários e gerentes, até alta gestão. Na FIA, há cursos para conselheiros, gerentes e recém-formados. Todos os profissionais que têm a consciência de que a sustentabilidade é parte do negócio, da responsabilidade da organização para sobrevivência, devem equipar-se com conhecimento.

Anteriormente, o senso comum sinalizava que sustentabilidade era tema para gestores ambientais…

É o contrário. Parte do trabalho é trazer todo mundo junto. Você precisa de diversidade. Quanto mais diversa é a formação, maior é a qualidade do trabalho de sustentabilidade. O que uma pessoa de meio ambiente traz complementa o repertório de outra das ciências sociais. E diversa também é a origem desses profissionais. Nos cursos da FIA, por exemplo, tem gente que vem do governo, de empresas públicas, terceiro setor, ONGS, empreendedores, empresas privadas de todos os tipos. A sustentabilidade precisa da soma de todas as contribuições. É um estado utópico.

Essa questão conversa com paixão, sonho…

Exatamente. Há dois pontos fundamentais para quem está entrando nesta jornada: um é a capacidade de conectar pontos de vista diferentes, trabalhar de forma colaborativa; e o outro é a paixão, é ter convicção. Isso a gente já está vendo com as novas gerações. Quem está no mercado há muito tempo, como eu, sobreviveu num espaço que não era bem isto. Você chegava no trabalho, pendurava o propósito no cabide e no fim do dia pegava outra vez. Agora isso não acontece mais. O trabalho faz parte da vida, não tem como desconectar.

E, neste caso, ter em mente que o trabalho deve ser atrelado ao propósito, mas ainda se fala de negócios…

Sim. As empresas estão procurando experiência nos negócios. Não adianta só idealismo. É preciso um pensamento crítico, mas adaptativo. Você critica o sistema, mas também traz soluções. Não adianta ser ativista. Você precisa ser ativista, mas também conciliador e executor. É uma perspectiva multidisciplinar e sistêmica. 

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