GV pode ter curso de direito no ano que vem

A escola de administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) vai emprestar um pouco da sua tradição para a criação de um curso de graduação em direito. O projeto curricular já está pronto e a FGV está recebendo a visita de uma comissão do Ministério da Educação, que será responsável pela autorização do curso. O diferencial será justamente a sinergia do direito com a área de negócios, formando profissionais para trabalhar em um dos setores mais disputados e desejados atualmente entre os advogados. "Há carência de advogados de negociação", diz o diretor da já montada escola de direito da FGV, o jurista Ary Oswaldo Mattos Filho. "Eles apresentam apenas acúmulo de conhecimento na área jurídica." Segundo Mattos Filho, o curso proposto - cujo vestibular deve ocorrer em 2003 - se preocupará também com o ensino de finanças, contabilidade, microeconomia e técnicas de negociação. Assim, atinge exatamente estudantes que querem advogar em grandes escritórios, responsáveis por fusões e aquisições de empresas, ou mesmo para atuar em direito tributário, administrativo e concorrencial. A idéia da FGV é considerada inovadora no ensino do direito que, mesmo entre as melhores faculdades, apresenta currículos tradicionais com enfoque nas áreas de civil, penal e constitucional. "A formação é a mesma há mais de cem anos. Forma-se o advogado para os tribunais, para o embate", diz o presidente da comissão de ensino jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Rui Celso Reali Fragoso. Segundo ele, a fim de preparar-se bem para atuar no direito empresarial, o advogado acaba recorrendo a cursos de especialização e pós-graduação. "Eu não tinha idéia de como funcionava uma empresa", diz Tatiana Amorim de Brito Machado, de 24 anos. Ela lida com fusões e aquisições e, logo depois de formada, cursou direito societário, uma das 19 especializações oferecidas pela própria FGV na escola chamada GV Law. "Na minha classe da faculdade, todos queriam trabalhar com direito empresarial", conta a advogada, que se graduou pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) no ano passado. Entre os atrativos para os recém-formados estão a boa remuneração e o status por fechar meganegócios entre grandes empresas. A GV Law foi o primeiro passo da instituição para perto do direito. A demanda do mercado pôde ser notada em uma pesquisa feita em 2000, que ouviu empresas de headhunters, nacionais e multinacionais e grandes escritórios de advocacia. "O mercado se julga não atendido (de advogados na área empresarial)", concluiu Mattos Filho, depois dos resultados. O curso de direito da FGV - que será oferecido em período integral - está programado para ter 50 vagas a cada ano, em São Paulo e no Rio. Não há ainda previsão do preço da mensalidade. A comissão do MEC vai avaliar o corpo docente, que deve ter pelo menos 30% de mestres e doutores, a estrutura da faculdade, como biblioteca e salas de aula, além do projeto didático pedagógico. Segundo a Secretaria do Ensino Superior do MEC, se tudo correr bem, a autorização pode sair em um prazo mínimo de quatro meses. Depois da publicação em Diário Oficial, a faculdade poderá realizar o primeiro vestibular. A FGV pleiteia ainda no MEC a criação de um curso de graduação em Economia, com 50 vagas, que também deve começar em 2004. Atualmente, há 190 cursos de direito no Estado. Nos Estados Unidos são 250. "A OAB é contra novos cursos que não tenham um diferencial, que não sejam necessários na região", diz Fragoso. Segundo ele, a proliferação das faculdades de direito tem levado a resultados como o da última edição do exame da OAB, que teve apenas 19% de aprovados no Estado.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2002 | 18h27

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