Guarulhos ajuda a recuperar o Rio Tietê

O trabalho começou com a elaboração de um Plano Diretor

Laura Leal,

21 Setembro 2010 | 10h47

Seis anos depois de criado, o Programa de Tratamento de Esgoto do Sistema Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, já atinge 75% da população. O trabalho começou com a elaboração de um Plano Diretor realizado pelo SAAE entre 2003 e 2004, quando foram definidos os recursos e as alternativas para a implantação de um programa eficiente de coleta e tratamento de esgotos na região.

 

O estudo, que levou em conta as perspectivas de crescimento urbano do município até 2028, considerou o número de moradores de cada bairro e também a porcentagem de esgotos tratados em cada um deles. Guarulhos tem hoje cerca de 1,3 milhão de habitantes. Até julho de 2010, haviam sido instalados 156,45 quilômetros de redes coletoras, segundo o SAAE.

 

Elói Pietá (PT), prefeito de Guarulhos de 2001 a 2009, conta que, quando ele assumiu a prefeitura, o Estado de São Paulo passava por uma grave crise de abastecimento de água: "A prioridade foi resolver essa questão na nossa cidade, contando apenas com recursos municipais".

 

Mas havia outro problema: a coleta e o tratamento de esgotos. Guarulhos era responsável por 4% de toda poluição do Rio Tietê. "Tínhamos um grande déficit no sistema de coleta e tratamento de esgotos, mas isso exigia recursos pesados, que não possuíamos", relembra Pietá.

 

Ela necessário obter crédito no governo federal. Para isso, foi preciso regularizar a situação da prefeitura, conforme explica Pietá: "Havia dívidas da década de 1990, principalmente com os bancos privados, e o município estava inscrito na lista de inadimplentes do Ministério da Fazenda."

 

Renegociadas as dívidas, o governo federal liberou recursos para o saneamento básico. Com R$ 318 milhões de financiamentos, a prefeitura de Guarulhos construiu duas estações de tratamento de esgoto (Bonsucesso e São João), que entrarão em fase de pré-teste ainda em 2010, segundo a SAAE. Outras três estações estão em fase final de construção. Juntas, essas cinco estações de tratamento, somadas às obras de saneamento do governo estadual na região, poderão eliminar o despejo de esgotos de Guarulhos no Tietê.

 

Por enquanto, os benefícios não apareceram para os moradores do município, como a publicitária Patrícia Mascarenhas, de 24 anos. "Ainda vemos muito esgoto a céu aberto e sabemos que, embora a coleta seja grande, o tratamento é quase nulo", reclama Patrícia.

 

Para o estudante Leonardo Paraíso, de 22 anos, ainda não é possível sentir nenhum efeito das ações. "É até engraçado... Moro ao lado da prefeitura e da sede do SAAE. Logo atrás da minha casa, passa um córrego não canalizado, que vai até o Tietê", conta.

 

Mesmo com a falta de resultados imediatos, o programa do SAAE aponta para uma melhoria na qualidade de vida em Guarulhos e, ao mesmo tempo, busca preservar o futuro da água. "O importante é disponibilizar água potável para toda a população", defende o ex-prefeito Pietá.

 

LAURA LEAL É ALUNA DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

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