Grupo invade e desocupa 1ª escola no Rio tomada por alunos

Houve confronto entre estudantes e ao menos cinco ficaram feridos

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

10 Maio 2016 | 17h30

RIO - Cerca de 100 pessoas entraram no Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador (zona norte do Rio), na tarde desta terça-feira, 10, e expulsaram um grupo de aproximadamente 50 alunos que ocupava a escola desde 21 de março. Houve confronto entre os estudantes e pelo menos cinco ficaram feridos. Alguns alunos foram à 37ª DP (Ilha do Governador) para registrar as agressões.

Segundo Michel Policeno, de 18 anos, estudante do 3º ano do ensino médio e um dos ocupantes do Mendes de Moraes, o grupo que invadiu não era formado apenas por alunos do colégio. “Havia pessoas de fora, que foram lá para criar confusão. Arrombaram o portão para entrar na escola, e depois quebraram portas de vidro, levaram alimentos que estavam na cozinha e jogaram no lixo livros da biblioteca”, acusa. 

Segundo Policeno, havia policiais militares na porta da escola, mas eles não intervieram para conter a confusão. “O grupo de invasores trancou o portão, para impedir que outros alunos e professores entrassem e nos ajudassem”, afirmou.

Na última sexta-feira, 6, havia ocorrido outro tumulto na escola, após uma tentativa de invasão pelos integrantes do Desocupa. Nesse dia, porém, policiais e representantes do Ministério Público Estadual impediram o confronto entre alunos, e foi feita uma reunião entre os grupos favorável e contrário à ocupação. “A reunião terminou às 23h40 e ficou acertado que a escola voltaria a ter aulas na segunda-feira, 9, mas que a ocupação permaneceria. Só que no dia seguinte o pessoal do Desocupa voltou atrás e decidiu não aceitar mais o acordo. Eles querem que a gente saia de qualquer jeito”, diz o aluno. O movimento de ocupação começou em apoio à greve dos professores da rede estadual, iniciada em 2 de março. Atualmente há cerca de 75 escolas ocupadas. 

A reportagem tentou falar com representantes do Desocupa, mas nenhum se dispôs - um dos líderes afirmou ter recebido ameaças e disse que estava indo à delegacia registrar o caso.

Como o acordo acabou desfeito, a escola continua sem aulas. A Secretaria Estadual de Educação ainda não se manifestou sobre a situação do colégio. Às 16h30, o secretário Antonio José Vieira de Paiva Neto estava reunido com representantes dos professores e dos alunos para debater o movimento.

Outra unidade. Nesta terça houve tumulto também no Colégio Gomes Freire, na Penha (zona norte), entre estudantes favoráveis e contrários à ocupação. Ninguém se feriu.

 

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