Grupo de escolas planeja terceirizar professores

Para tentar atrair mais alunos e sair da crise que atinge o setor, um grupo de escolas particulares de São Paulo prepara uma receita polêmica: terceirizar o ensino. A idéia é cortar os vínculos empregatícios com os professores e mantê-los apenas como prestadores de serviço ? o que significará uma economia para os mantenedores.Algumas escolas com décadas de funcionamento, como o Bilac, o Expansão e o Luterano, esperam adotar a proposta a partir do início do ano que vem. Segundo o idealizador do projeto, o ex-presidente do sindicato das escolas particulares e dono de escola, José Aurélio Camargo, 49 instituições ? 18 delas na capital ? já assinaram um contrato de pré-adesão. Nos anos 80 e início dos 90, Camargo ganhou notoriedade à frente do sindicato contestando a política federal de controle de preços das mensalidades.Pelo projeto ? chamado de Colégio Brasil Novo ? , as escolas vão se reunir em torno de uma holding que ficará encarregada das questões jurídicas, administrativas, do marketing do sistema e do material de didático a ser empregado pelas franqueadas e comercializados pelas escolas. A linha pedagógica, a gestão e escolha de funcionários continuariam a cargo de cada instituição.Pagamento por alunoA relação com os professores, no entanto, mudaria completamente. Eles receberiam de acordo com o número de alunos em classe. Hoje, muitas escolas, segundo Camargo, têm apenas 40% de suas vagas preenchidas. Com mensalidades mais baixas, a expectativa é que as franqueadas conquistem rapidamente mais alunos. ?Os professores poderão ganhar até 80% mais do que ganham hoje?, diz Camargo.Não é de hoje que donos de escolas particulares lamentam a perda de alunos. A taxa de natalidade nas cidades vem caindo, ao mesmo tempo que os estabelecimentos de ensino se multiplicaram. Em 1992, eram 1.200 na capital; hoje são 2.600. A maioria delas têm vagas sobrando.Os mantenedores também reclamam dos gastos. A cada R$ 1.000 pagos em salário, outros R$ 730 são pagos pela escola na forma de encargos. ?O modelo atual está falido. Aderi ao projeto na esperança de beneficiar pais, professores e funcionários?, diz o diretor e proprietário do Bilac, José Rubens Bueno de Abreu. A escola que sempre teve em torno de 1.000 alunos, tem hoje 400.leia mais em

Agencia Estado,

11 de fevereiro de 2004 | 11h08

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