Grevistas da USP prometem mais atos

Após bloquear Cidade Universitária nesta quinta-feira contra corte de ponto, eles pretendem ir ao Palácio dos Bandeirantes no dia 14

Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 23h00

SÃO PAULO - Em assembleia realizada na tarde desta quinta-feira, 7, professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP) em greve prometeram intensificar os protestos. No dia 14 de agosto, eles pretendem fazer um ato no Palácio dos Bandeirantes.

Pela manhã, funcionários e alunos fecharam os três portões da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista, em protesto contra o corte de ponto de grevistas. Segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que comandou o ato, é a primeira vez em mais de 30 anos que todas as entradas principais do câmpus são fechadas.

A reitoria informou que vai comunicar à Justiça o fechamento, por entender que ele contraria decisão judicial de reintegração de posse concedida no dia 24 de julho. A paralisação já dura mais de 70 dias. Funcionários e professores entraram em greve após a reitoria - em conjunto com a Unesp e a Unicamp (as outras duas universidades estaduais de São Paulo) - decidir pelo congelamento dos salários dos funcionários e professores por causa da crise financeira pela qual a universidade atravessa. 

‘Trancaço’. Segundo o Sintusp, cerca de 600 pessoas participaram do ato desta quinta-feira, 7, que começou às 5h30 com o “trancaço” das portarias. Alunos, funcionários que não aderiram à greve e até gente de fora da USP tentaram entrar no câmpus, sem sucesso. A doméstica Evanilde Gonçalves, de 39 anos, teve de pular o portão com o filho Luiz, de 11, para levá-lo à Escola de Aplicação, onde ele estuda. “Eu nem trabalho aqui, não tenho nada a ver com isso. Mas ele tem uma viagem da escola e não queremos perder”, disse. A estudante francesa Laurie Chesnel, de 22 anos, foi surpreendida pelo bloqueio. “Na Poli (Escola Politécnica), as aulas têm ocorrido normalmente, não pensei que haveria isso”, disse ela, que faz estágio para dupla titulação em Engenharia Civil.

Após o bloqueio, o grupo realizou uma passeata pelo entorno do câmpus. O trânsito ficou complicado nas Ruas Corifeu de Azevedo Marques e Vital Brasil. A manifestação só acabou às 13h50, na frente do prédio da reitoria, onde há um acampamento em apoio à greve.

“Para nós, a prioridade agora é reverter os cortes, depois é ter a certeza de abertura de negociação”, disse Marcelo Pablito, um dos diretores do Sintusp. O ato também pediu a liberação do ativista Fábio Hideki, aluno e funcionário da USP. “Foi desmascarada a farsa da polícia, demoraram mais de um mês para verem que achocolatado não era explosivo”, disse Pablito.

Corte de ponto. A reitoria defende ainda que o corte no ponto dos salários dos grevistas tem como base a lei n.º 7.783/1989, artigo 7.º. Em nota, a instituição afirmou que o ato desta quinta-feira, 7, contraria a decisão judicial. “O fechamento dos portões prejudica as atividades administrativas e acadêmicas da universidade no dia de hoje e se caracteriza como descumprimento da liminar.” Segundo a USP, a liminar se refere a todos os prédios da Cidade Universitária.

A folha de pagamento já representa 105% dos repasses do Estado para a universidade, motivo pelo qual, diz a reitoria, seria impossível dar reajuste. Para o funcionário Reinaldo Souza, de 27 anos, falta transparência à gestão do reitor Marco Antônio Zago. “Ele diz que não tem dinheiro, mas não abre as contas da universidade”, defende. Nova reunião entre os reitores e trabalhadores está marcada para o dia 3 de setembro.

No câmpus de São Carlos, no interior, um grupo também bloqueou ontem a entrada de veículos do local. 

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