Grevistas da USP prometem fechar prédios da ECA e Direito

A greve da categoria começou nesta quarta-feira

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu

05 de maio de 2010 | 15h55

Servidores da Universidade de São Paulo (USP) em greve prometem fechar amanhã os prédios da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da cidade. A categoria iniciou paralisação nesta quarta-feria, por tempo indeterminado.

 

 

A orientação para o fechamento dos prédios foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) no começo desta tarde, no vão livre do prédio de História. Cerca de 80 funcionários participaram das votações. 

 

 

De acordo com o diretor do Sintusp, Magno de Carvalho, o comunicado feito ontem pelo reitor da USP, João Grandino Rodas, "radicalizou" o movimento. No documento, a reitoria divulgou liminar judicial que prevê multa de R$ 1 mil por dia em casos de piquetes, bloqueios de acessos e invasões de prédios. Além disso, o comunicado promete cortar o ponto dos grevistas.

 

 

"Essa foi uma tentativa clara da universidade querer intimidar o movimento", afirmou Carvalho. Segundo ele, os câmpus de Riberião Preto, Piracicaba e São Carlos devem seguir a mesma orientação de bloquear as atividades.

 

 

A reportagem solicitou ainda ontem entrevista com o reitor João Grandino Rodas, mas o pedido não foi atendido. De acordo com assessoria de imprensa, a posição da reitoria, mesmo após o anúncio dos fechamentos, é a expressa no comunicado.

 

 

Não há um balanço sobre adesão, mas seviços como o transporte interno da cidade universitária, restaurantes, centro poliesportivo e áreas administrativas, como a prefeitura do câmpus e o serviço social (Coseas), não funcionaram hoje. Algumas bibliotecas, como a da ECA e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) estão com as portas fechadas. Já nas faculdades de Psicologia e Economia, Admistração e Contabilidade (FEA), o empréstimo de obras ocorreu normalmente.

 

 

Sem restaurantes, alguns alunos tiveram que improvisar. O almoço do estudante colombiano Júlio Rincón, de 25 anos, de Administração, foi um lanche na padaria da moradia estudantil (Crusp). "Desse jeito, vamos ter de se preparar para gastar muito dinheiro", diz ele. Nas cozinhas coletivas do Crusp, muitos alunos preparavam o próprio almoço. "Para quem mora aqui no Crusp é pior", afirma uma aluna de Letras, que prefere não se identificar. "A maioria dos alunos fica sem almoço, mas vai jantar em casa. A gente tem que se virar, sem transporte e às vezes sem dinheiro", diz ela, que preparava macarrão com molho de tomate.

 

 

Reivindicação

A greve foi anunciada no dia 29 de abril. A categoria quer uma reposição salarial de 16% e incorporação de R$ 200 ao salário-base. Outro ponto da lista de reivindicações é a extensão para todos os servidores das universidades estaduais paulistas do reajuste de 6% concedido apenas aos professores.

 

 

Os servidores têm no dia 11 de maio uma reunião com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Curesp) para tratar das reivindicações. Servidores ligados ao sindicato, entretanto, não estão otimistas com o encontro. O Sintusp espera que funcionários da Unesp e Unicamp também entrem em greve após essa data.

 

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