Grevistas da USP fecham prédio da ECA

Sindicato prometia bloquear faculdade de Direito, mas não houve mobilização

Paulo Saldaña, especial para o Estadão.edu, e Luciana Alvarez, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2010 | 09h17

Alunos observam aviso dos grevistas na porta da Escola de Comunicação e Artes

 

Servidores da Universidade de São Paulo (USP), que entraram em greve na quarta-feira (5), bloquearam nesta manhã um prédio da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e impediram aulas e atividades administrativas. O ato é uma reposta ao anúncio da reitoria de que vai cortar o ponto dos grevistas.

 

 

Na entrada da faculdade, alguns alunos apoiavam o movimento. A estudante de Letras Luciana Machado juntou-se aos trabalhadores. "A gente acha que o reitor [João Grandino Rodas] está tomando atitudes antidemocráticas, como tentar cercear o direito fundamental de se organizar", diz ela.

 

 

O fechamento do prédio central da ECA prejudicou a aluna Adriana Rodrigues, de Biblioteconomia. "Precisava de um documento da faculdade para não perder um estágio", disse ela, decepcionada, mas já "acostumada" com as greves na universidade. Uma banca para a contratação de professores também teve de ser transferida para outra unidade.

 

 

Na quarta, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) havia prometido uma "radicalização" do movimento por causa de comunicado do reitor. Além de ameaçar cortar ponto dos grevistas, o informe divulgava liminar judicial que prevê multa de R$ 1 mil por dia em caso de piquetes.

 

 

Segundo o diretor de base do Sintusp Magno de Carvalho, ao fechar toda uma unidade, a estratégia é impedir que a reitoria saiba exatamente quem aderiu à greve e quem foi impedido de trabalhar - impossibilitando o corte no salário. "Se não fosse pela ameaça, o prédio estaria aberto", disse.

 

 

O Sintusp havia prometido fechar também a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro, mas os grevistas não se mobilizaram. As atividades na faculdade ocorrem normalmente no local, sem a presença de manifestantes. Os sindicalistas argumentam que seria difícil bloquear o prédio porque há muitas entradas. Além disso, o embate com os alunos da faculdade contrários a uma paralisação seria inevitável.

 

 

Reivindicação

A greve foi anunciada no dia 29 de abril. A categoria quer uma reposição salarial de 16% e incorporação de R$ 200 ao salário-base. Outro ponto da lista de reivindicações é a extensão para todos os servidores das universidades estaduais paulistas do reajuste de 6% concedido apenas aos professores.

 

 

Os servidores têm no dia 11 de maio uma reunião com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Curesp) para tratar das reivindicações. Servidores ligados ao sindicato, entretanto, não estão otimistas com o encontro. O Sintusp espera que funcionários da Unesp e Unicamp também entrem em greve após essa data.

 

 

Na Cidade Universitária, o transporte interno, restaurantes, centro poliesportivo e áreas administrativas, como a prefeitura do câmpus e o serviço social (Coseas), não estão funcionando.

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