Grevistas da USP farão 'trancaço' em portões da Cidade Universitária

Acessos da universidade deverão ser fechados de 4h30 às 20h30 nesta quarta; para o almoço, serão levadas churrasqueiras

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2014 | 17h17

SÃO PAULO - Os funcionários grevistas da Universidade de São Paulo (USP) prometem fazer um "trancaço" em todos os portões da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista, nesta quarta-feira, dia 20. Segundo o Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), que organiza o ato, os portões serão fechados das 4h30 às 20h30 e "ninguém poderá entrar no câmpus". 

Para garantir que os grevistas possam aderir à paralisação durante todo o dia, o Sintusp diz que vai instalar churrasqueiras nos portões. "Já pedimos para todo mundo trazer carne, linguiça e frango, porque na hora do almoço terá gente com fome", afirmou Magno de Carvalho, diretor do Sintusp.

Os funcionários são contrários ao reajuste zero de salários de servidores técnico-administrativos e de professores da USP. A decisão da instituição de não reajustar o salário foi tomada em conjunto com as outras duas universidades estaduais - Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) -, o que motivou o início da greve de funcionários e docentes nas três instituições, no dia 27 de maio. O pedido dos grevistas é de reajuste de 9,78%. As três instituições afirmam que não têm condições orçamentárias para fazer o reajuste. 

Os funcionários também protestam contra o corte de salários de grevistas da USP durante a greve. Segundo Carvalho, funcionários técnico-administrativos de todas as unidades da universidade tiveram salários cortados. "São milhares de funcionários, mas não temos o dado de quantos precisamente."

Os grevistas protestam também contra a proposta do reitor da USP, Marco Antonio Zago, de criar um plano de demissão voluntária e flexibilização de jornada de servidores técnico-administrativos como forma de desinflar a folha de pagamento e combater a crise financeira da instituição. O plano também inclui a possibilidade de redução de jornada de funcionários com diminuição salarial e a transferência de dois hospitais - o Hospital Universitário e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru - para a Secretaria Estadual de Saúde. A proposta foi apresentada na sexta-feira, 15, a cerca de 80 diretores de unidades da universidade. 

Carvalho afirma que o Sintusp não concorda com o plano apresentado pelo reitor. "Isso vai destruir a qualidade da USP. Vai comprometer a qualidade de dois hospitais de referência e demitir 3 mil funcionários.  É o sucateamento da universidade", afirma.

Mais conteúdo sobre:
São Paulo USP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.