Grevistas acham difícil aceitar contraproposta de reitores

Representantes dos professores e funcionários em greve nas três universidades estaduais paulistas - USP, Unesp e Unicamp - consideraram insatisfatória a contraproposta feita pelos reitores, de reajuste salarial de 2% retroativo a maio, data-base das categorias. A reunião ocorreu na quarta-feira em Campinas.O Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) também acenou com a possibilidade de um adicional em outubro, caso a arrecadação do governo estadual tenha aumento, o que também não agradou aos grevistas."Os 2% não cobrem nem a inflação acumulada desde 2003, de 4,37%, e já sabemos que não deve ter aumento de arrecadação em outubro", disse Milton do Prado Jr., presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) e coordenador do Fórum das Seis, que reúne as entidades representativas de docentes e servidores das três instituições. A proposta dos grevistas é de 9,41%.AssembléiasSegundo Prado, assembléias setorias vão ser realizadas nos próximos dias para avaliar a contraproposta dos reitores, mas os líderes consideram "complicado parar o movimento neste momento". A posição tomada nas assembléias será levada a uma nova reunião com o Cruesp, marcada para segunda-feira.Na reunião desta quarta-feira, os reitores mencionaram ainda a possibilidade de um reajuste complementar em janeiro, também vinculado a um eventual aumento de arrecadação pelo governo. "Chegaríamos a 3,8%, ainda abaixo da inflação", explicou Prado.O governo estadual alega que não pode conceder reajuste salarial porque já elevou os repasses às universidades e está no limite dos gastos permitidos por lei. Teria de tirar recursos da educação básica.56 diasOs professores e funcionários iniciaram a greve em maio e estão completando 56 dias de paralisação, ultrapassando os 54 dias da greve de 2000. Naquela ocasião, as duas categorias conseguiram repôr parte das perdas salariais, e é com base naquele resultado que os grevistas hoje reivindicam os 9,41%."Este índice representa a reposição das perdas que tivemos desde maio de 2001?, explica Lucília Daruiz Borsari, professora do Instituto de Matemática e Estatística e 1.ª secretária da Associação dos Docentes da USP (Adusp).Na USP, também os estudantes estão em greve, em apoio aos professores e funcionários. Segundo Prado, a adesão dos professores é de 70% e a de funcionários chega a praticamente 100%. Na Unicamp, os funcionários desistiram da greve no início deste mês e 40% dos docentes continuam parados. Na Unesp, 90% dos professores e funcionários nos 15 campi estão parados e há greve de alunos em quatro cidades: Marília, Bauru, Presidente Prudente e Franca.

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