Greve nas federais pode ter adesão de professores

O governo federal terá de enfrentar um prolongamento da greve dos servidores das universidades federais e poderá ter de encarar ainda uma paralisação dos professores, a partir da próxima semana. Depois de mais uma rodada denegociações entre representantes dos ministérios da Educação e Planejamento e os sindicatos, nada foi acertado nesta quarta-feira.O governo diz ter chegado no limite. Os servidores classificam a proposta de ridícula. Os professores alegam que o projeto do governo cria mais distorções salariais.Impacto financeiroJuntas, as propostas feitas aos técnicos-administrativos e aos professores teriam um impacto financeiro de mais de R$ 1,7 bilhão ao ano a partir de 2006. Seriam R$ 1,38 bilhão para o reescalonamento das carreiras dos servidores e mais R$ 370 milhões para reajustes salariais dos professores.?Estamos no limite da responsabilidade. É impossível aumentar ainda mais?, garantiu o secretário-executivo do MEC, Fernando Haddad.ServidoresA proposta feita aos servidores prevê o investimento de R$ 700 milhões este ano para pagamento de gratificações, R$ 385 milhões para incorporar as gratificações no ano que vem e para reestruturação da carreira e outros R$ 300 milhões para finalizar essa reestruturação em 2006.O piso salarial proposto pelo governo é de R$ 701, enquanto os servidores querem R$ 780. O índice de reajuste entre os níveis, proposto pelo MEC, é de 3,37%, enquanto os servidores querem 5%.?Essa proposta do governo deixa de fora entre 20% e 25% dos servidores. No nível superior, 75% da categoria fica de fora porque o salário é menor do que eles recebem hoje com as gratificações?, disse João Paulo Ribeiro, coordenador-geraldo sindicato.ProfessoresNo caso dos professores, o problema apontado por Paulo Rizzo, vice-presidente do sindicato, é que a proposta do governo cria distorções salariais. ?Professores com mesma titularidade na mesma instituições poderão ganhar salários diferentes?, afirma.A contra-proposta dos professores prevê um aumento de R$ 70 milhões nos gastos da União. O MEC alega que não há como chegar lá. ?Vamos tentar corrigir essas distorções dentro do orçamento que temos?, disse o chefe de gabinete doministério, Jairo Jorge.Rizzo acredita, no entanto, que isso não será possível. ?Eles terão que diminuir os percentuais de reajuste de alguém e isso não vamos aceitar?, afirmou.Fim da gratificaçãoAs propostas do governo, no entanto, dão aos professores uma das suas reivindicações mais antigas, o fim da gratificação por desempenho (GED).Criada em 1998, a GED dava gratificações maiores de acordo com o desempenho acadêmico do professor ? como publicações -, títulos, horas em sala de aula, entre outros pontos. Aspropostas do MEC ou transformam a GED em uma gratificação fixa ou a deixam como está e criam outra gratificação fixa.No primeiro caso, os reajustes seriam entre6,3% e 80.7%. No segundo, entre 12,6 e 33,1%.Em ambos os casos, segundo Fernando Haddad, o ministério estaria tentando abrir caminho para a incorporação definitiva da GED no salário base dos professores. Como o impacto financeiro é muito alto, essa é uma discussão que fica para o futuro.

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