Greve de professores faz Unicamp adiar volta às aulas em um mês

Funcionários e docentes estão parados há dois meses; normalização das atividades depende da conclusão do primeiro semestre letivo 

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

30 Julho 2014 | 15h32

Atualizada às 19h59

SÃO PAULO - A greve dos professores e funcionários fez a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) adiar, em pelo menos um mês, o segundo semestre letivo na instituição. Ele deveria começar na segunda-feira, mas agora a previsão de início é só em 1.º de setembro. Já a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em que docentes e servidores também cruzaram os braços, não fizeram nenhuma alteração nos calendários. 

Segundo a Unicamp, a previsão de acerto do ano letivo depende da solução dos “problemas enfrentados pela universidade no menor prazo possível”. O objetivo é dar prioridade às últimas avaliações e reposições de classes do primeiro semestre, que ficou prejudicado, antes de iniciar o segundo. Cerca de 30% das notas das turmas de graduação e de pós ainda não foram lançadas no sistema. A Unicamp não tem vestibular de meio de ano.

Não há perspectivas para o fim da greve, que já dura dois meses. As categorias pararam contra o congelamento de salários, justificado pelos reitores com a crise financeira das estaduais, que gastam quase toda a receita com salários. A negociação entre reitores e sindicatos sobre o reajuste será retomada somente em 3 de setembro. 

Para o presidente da Associação de Docentes da Unicamp, Paulo César Centoducatte, o adiamento eleva a pressão sobre a reitoria. “Há implicações para o próximo ano e até atrasa a entrada de novos alunos.” Nesta quinta-feira, a entidade pretende reunir-se com representantes da administração para pedir abono de 26%, com objetivo de repor defasagens salariais desde maio, quando começou a negociação. 

Outras instituições. A USP e a Unesp informaram que não pretendem alterar a data de início das aulas, prevista para o dia 4. No caso da Unesp, ao fim da greve a congregação de cada uma das 34 unidades definirá o próprio calendário de aulas e reposições. Em alguns câmpus, como os de Assis e Araraquara, a adesão ao movimento foi mais alta do que em outros. 

A assessoria de imprensa da USP também confirmou a realização da Feira de Profissões da universidade, que acontecerá entre os dias 7 e 9 no Câmpus Butantã, zona oeste da capital. Funcionários da universidade ameaçam não participar do evento. “As medidas judiciais e as ameaças de corte de ponto da reitoria vão radicalizar o movimento na próxima semana”, afirmou Magno de Carvalho, que preside o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

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