Greve atinge mais da metade dos 24 câmpus da Unesp

Em São Paulo e Franca, participam da paralisação servidores, professores e alunos

Davi Lira, O Estado de S. Paulo

12 Junho 2013 | 21h13

A greve de funcionários, professores e/ou alunos das faculdades e institutos de ensino da Universidade Estadual Paulista (Unesp) atinge parcialmente pelo menos 14 dos 24 câmpus da instituição. No Instituto de Artes, em São Paulo, e na unidade de Franca, a paralisação conta com a participação de todas as três categorias.

Iniciada no dia 28 de maio pelos técnicos-administrativos da Unesp em Assis, a 434 km da capital, a maior parte das demais unidades resolveu aderir à manifestação a partir do dia 3 de junho, afirma Alberto de Souza, coordenador político do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp). A adesão, no entanto, não ocorreu de forma uniformizada. Ou seja, existem unidades onde apenas alguns técnicos estão paralisados. Não foram divulgados números absolutos da adesão.

Entre as principais reivindicações dos servidores - principal categoria que lidera a greve -, está  a equiparação do piso salarial dos funcionários da Unesp com o da USP. "A diferença de salários ultrapassa 20%. No nível superior, enquanto o nosso piso é de cerca de R$ 4 mil, o da USP é de R$ 6 mil", fala Souza.

Os técnicos também são contrários ao reajuste salarial de 5,39% concedido para a categoria - eles exigem 11%, retroativo à maio deste ano.

As negociações com a Unesp, no entanto, vem ocorrendo desde então. Eles já se reuniram nos últimos dias com a reitoria para apresentar as reivindicações. Segundo Souza, a Unesp convocou um novo encontro para a primeira semana de julho. Na ocasião, serão apresentadas contrapropostas à categoria.

 

BALANÇO DA GREVE (adesão*)

Araçatuba (técnicos)

Araraquara (técnicos)

Assis (técnicos e alunos)

Bauru (técnicos)

Botucatu (técnicos e alunos)

Dracena

Franca** (técnicos, professores e alunos)

Guaratinguetá

Ilha Solteira (técnicos)

Itapeva

Jaboticabal (técnicos e alunos)

Marília (técnicos e alunos)

Ourinhos (alunos)

Presidente Prudente

Registro

Rio Claro (alunos)

Rosana

São João da Boa Vista

São José do Rio Preto (técnicos e alunos)

São José dos Campos

São Paulo (técnicos, professores e alunos)

São Vicente***

Sorocaba (técnicos)

Tupã

Obs: *adesão pode não ser total

**conforme apurou o Estado

***de acordo com o Sintunesp, parte dos alunos estão em greve

FONTE: UNESP

 

Capital

No câmpus de São Paulo, localizado na Barra Funda, zona oeste, estudantes do Instituto de Artes estão sem aulas desde do início de junho. "O prédio não está fechado, mas as aulas não estão acontecendo", fala Rafael Zenorini, de 25 anos, aluno do curso de bacharelado em Música.

O jovem, que participa do movimento grevista, diz que é necessária a implantação de um plano de assistência estudantil mais amplo. "Faltam restaurantes universitários para todos os estudantes em muitos câmpus. No Instituto de Artes, sequer temos um lugar adequado para nos alimentarmos. Nossa copa é improvisada", afirma Zenorini.

Ele também é contra o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), outro assunto colocado na pauta de reivindicações das paralisações na Unesp, especialmente pelos estudantes. "Somos contra o Pimesp, mas a favor das cotas. Mesmo sendo paliativas, elas devem ser vistas como um direito reservado àquelas pessoas  que estudaram nas escolas públicas de educação básica", fala Zenorini.

Yardena Sheery, aluna do 4º ano do curso de Artes Visuais, ainda critica o atual programa de moradia estudantil voltado aos estudantes do câmpus da Barra Funda. "Mesmo tendo muitos alunos de outras cidades, nós não temos moradias estudantis próprias para todos aqueles que precisam", diz Yardena.

Interior

Em Bauru, os alunos decidiram não aderir à greve. Ontem, 650 estudantes fizeram um assembleia para decidirem se seguiriam com o movimento iniciado pelos servidores. "O câmpus está bastante rachado. Foi por uma diferença de apenas 60 votos que ficou decidido a não adesão dos estudantes", fala Keytyane Medeiros, de 20 anos, aluna de jornalismo.

No entanto, grupos de estudantes de cursos específicos como o de Psicologia, resolveram entrar em greve, afirma Keytyane. "Respeitamos a manifestação porque nós temos muitas queixas. Temos salas provisórias com infiltração e problemas com déficit de professor. No 3º ano, por exemplo, falta um professor de semiótica", fala a jovem.

Em Ilha Solteira, mesmo com a presença de professores e alunos, a rotina de aulas vem sendo comprometida pela greve dos servidores. "Em alguns cursos, parte dos laboratórios utilizados para as aulas práticas ficam trancados, porque são os técnicos que têm as chaves", fala Mariana Fogale, de 22 anos, estudante do curso de Zootecnia. O mesmo problema também é identificado na maioria das unidades grevistas.

"Isso tende a acontecer. Quando se tem uma paralisação de algumas das categorias, as outras serão prejudicadas de alguma forma. Se não há prejuízo, não há negociação", fala o coordenador político do Sintunesp.

Além do problema no acesso aos laboratórios, a paralisação chega a comprometer até a alimentação dos alunos. "Eu tenho uma amiga que mora no alojamento. Ela está tendo problemas para se alimentar. Com a greve, o restaurante universitário fica fechado e ela acaba tendo que se virar todos os dias. Comer fora sai bem mais caro", comenta Mariana.

Já em Rio Claro, conforme o Estado apurou, a greve conta com a participação apenas pelos estudantes. Não conta com adesão de técnicos, nem dos professores.

Não foi discutido, até o momento, se a greve vai comprometer o calendário acadêmico das unidades.

 

Outro lado

Consultada, a Unesp informou que a greve não ocorre em todas as 34 faculdades e institutos da universidade de forma homogênea. Ela afirma ainda que os funcionários de São José dos Campos e os professores de Marília decidiram encerrar a greve nesta quarta (12).

Sobre algumas demandas de alunos de graduação, envolvendo desde ampliação dos programas de assistência (moradia, restaurante universitário e bolsas) até críticas ao Pimesp, a Unesp afirma que "a reitoria dará o devido encaminhamento das pautas para que decisões futuras sejam tomadas."

A instituição também afirma que "será discutida a criação de uma Comissão Permanente de Permanência Estudantil, com representantes dos três segmentos, para discutir critérios de concessão e distribuição de bolsas, moradias e restaurantes universitários."

Sobre o reajuste salarial de 11%, a Unesp diz que "levará ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) a manifestação de que seja mantida a política de ganho sobre a inflação praticada nos últimos anos, dentro da realidade orçamentária da universidade."

À respeito da isonomia de pisos com a USP, a instituição afirma que "o assunto será tratado na reunião de julho."

 

 

RAIO-X

Número de campus: 24

Localizados no interior: 22

No litoral Paulista (São Vicente): 1

Capital (na Barra Funda): 1

Cursos de graduação: 179

Pós-Graduação: 118 programas

Alunos de graduação: 35.929

Alunos de pós-graduação: 10.705

 Professores: 3.543

Funcionários: 7.153

CORRIGIDA ÀS 19H43 DO DIA 13/06/2013 (erros ortográficos)

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