Graduação especial para sem-terra reabre em Sergipe

Será retomado no próximo dia 17 o primeiro curso de agronomia para assentados e filhos de assentados na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Mas os 60 alunos vão começar as aulas sem saber se poderão concluí-lo: ação judicial contesta a criação de um bacharelado voltado só para os sem-terra.Desde fevereiro, o curso estava suspenso por uma liminar concedida aos autores da ação, a Associação de Engenheiros Agrônomos de Sergipe (Aease), mas ela foi derrubada por um desembargador na semana passada.Trata-se de um curso especial e com turma única. Em janeiro, 85 sem-terra prestaram um vestibular diferenciado para concorrer às 60 vagas. A concorrência era bem menor que a do concurso tradicional, quando 409 inscritos disputaram 40 vagas no curso regular de Engenharia Agronômica.As disciplinas serão condensadas e os dias letivos combinam aulas em sala e atividades de campo."Discriminação""É um curso discriminatório. A gente não quer que os sem-terra entrem pela janela", afirmou o presidente da Aease, Jobenir Pires. Segundo ele, não há privilégio para agricultores, nem para os filhos destes que queiram entrar numa universidade pública."Já existe um curso, mas os sem-terra não estão se submetendo ao vestibular normal. Fizeram só uma prova de conhecimentos gerais e terão acesso ao ensino superior."Coordenador do curso, o professor Arie Fitzgerald Blank, criticou os que estão movendo a ação. "Eles têm interesse em que os sem-terra não se formem, não se atualizem", afirmou."Não se trata de privilégio. Não podemos comparar pessoas de realidades diferentes. Sabemos que as pessoas da reforma agrária não têm dinheiro para fazer uma faculdade."O curso teve candidatos de sete Estados do Nordeste, a maioria de Sergipe e Pernambuco, e é custeado pelo Programa Nacional de Reforma Agrária. Terá duração de cinco anos.

Agencia Estado,

06 de maio de 2004 | 13h33

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