GPS indica o caminho para geógrafos

Com aplicações que vão muito além da navegação nas ruas, as tecnologias de posicionamento geográfico ampliam mercado profissional

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu

29 Março 2010 | 20h23

“Vire à direita a 500 metros. Na quadra seguinte, dobre à esquerda e siga em frente.” Com a voz metálica indicando o caminho, o GPS já está nos carros, celulares – e até o Twitter vai unir a informação “o que você está fazendo” ao “onde você está”. Ele é uma das tecnologias de posicionamento geográfico que, além de facilitar nossa vida, tem indicado novos rumos para profissionais que antes seguiam basicamente para as salas de aula: os geógrafos.

 

 

As aplicações da tecnologia de georrefenciamento, que usa como base coordenadas geográficas, vão do planejamento agrícola à logística e ao marketing. Além do GPS (Sistema de Posicionamento Global, na sigla em inglês), tem crescido o uso de ferramentas como o GIS, ou Sistema de Informação Geográfica. Conjunto de softwares de informações, o GIS pode ser usado para criar mapas com qualquer variável, de vendas no varejo à incidência de crimes numa determinada região.

 

 

O dado mais recente sobre o mercado dessas tecnologias no Brasil é de 2008 e mostra crescimento anual de 20%. O setor movimentou R$ 620 milhões, diz a coordenadora da pesquisa, Iara Félix, diretora de Desenvolvimento da Santiago&Cintra – representante da multinacional Naviteq. “A popularização da tecnologia é enorme.”

 

 

Para crescer, empresas do setor vão precisar de geógrafos, cartógrafos e especialistas em informática. “Na maioria dos locais em que for trabalhar, o geógrafo terá a necessidade de usar essas ferramentas”, diz o professor da USP Jorge Raffo, especialista em geotecnologia.

 

 

Mestre em Informação Geográfica pela Federal do Paraná, Eduardo Freitas Oliveira concorda que o mercado está vivendo um boom, mas destaca o protagonismo do GPS. “O mercado de navegadores e rastreadores automotivos cresce muito mais rápido”, diz Oliveira, diretor da revista InfoGeo.

Para que o aparelho do carro aponte a melhor rota para cruzar a cidade, uma equipe trabalha sem parar – principalmente em uma cidade dinâmica como São Paulo. “O mais importante de um mapa é a quantidade de informações que ele traz”, diz o geógrafo Edilberto de Aguiar, que controla a qualidade dos mapas da empresa Digibase.

 

 

O cartógrafo Sandro Amorim, da Digibase, diz que os formados na área têm familiaridade não só com a tecnologia, mas com a linguagem de representação. “O mapa precisa ter escala e também exige cálculos matemáticos.”

 

 

“As informações georreferenciadas têm reconhecimento e demanda internacionais”, diz Luis Paulo Souto Forte, diretor de Geociências do IBGE. Ele coordena o próximo censo, que pela primeira vez vai usar o GPS em todas as fases – estão previstas visitas a 58 milhões de domicílios. A ideia é, com o GPS, colocar o Brasil no mapa.

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