Tiago Facina/Divulgação
Tiago Facina/Divulgação

Rio deve anunciar corte de 30% dos salários de funcionários da Uerj

Aulas na universidade deveriam ter começado no dia 17 de janeiro, mas o corpo docente avaliou que a faculdade não tinha condições estruturais

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

24 Março 2017 | 15h56

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), deve anunciar um corte nos salários dos professores e funcionários da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) que anda não iniciaram o ano letivo, nesta sexta-feira, 24. A previsão é que a redução seja na casa dos 30%. Os detalhes estão sendo definidos por Pezão e sua equipe. 

As aulas da Uerj deveriam ter começado no dia 17 de janeiro, mas o corpo docente avaliou que a faculdade não tinha condições estruturais. Para a rádio CBN, Pezão disse que pretende promover o corte já no salário de fevereiro, que está atrasado. Por outro lado, afirmou que vai colocar em dia as contas da universidade.

A reitoria da universidade informou que não vai comentar as declarações do governador. "A universidade não foi oficialmente informada do fato e só irá se pronunciar quando isso acontecer", comunicou, por meio de nota.

Já a presidente da Associação de Docentes da Uerj, Lia Rocha, disse que o órgão recebeu com "surpresa" a informação e ainda não foi notificado formalmente da medida. "Queríamos saber como o governador pretende cortar um salário que ainda não recebemos e nem temos previsão para receber. Ainda não recebemos o 13º, nem o salário de fevereiro. O de janeiro foi parcelado. Estamos com dificuldade de compreender essa medida", disse.

Lia também afirmou que os professores não estão em greve. "Apenas os técnicos, como secretários e funcionários dos Recursos Humanos, estão em greve. Nós estamos trabalhando, fazendo a orientação de alunos, tarefas administrativas, a reforma curricular. Só não estamos dando aulas porque os professores e a reitoria decidiram que não há condições", afirmou.

Segundo a presidente da associação, a faculdade está sem o serviço de limpeza, o restaurante universitário não está funcionando, as bolsas dos alunos estão atrasadas e houve cortes de funcionários da segurança e da manutenção dos elevadores. "Se o governador realmente cumprir isso, nós vamos entrar com um mandado de segurança na Justiça", disse.

A bancada de deputados do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) enviou nota dizendo que "repudia de forma veemente" a ação do governador. "É mais uma atitude criminosa de um estado que já não paga os salários, não repassa as cotas mensais da Uerj desde o início do ano passado e não regulariza as bolsas de ensino. A volta às aulas tem sido adiada sucessivamente por completa falta de condições mínimas de salubridade para alunos, professores e funcionários", disse.

Durante a participação em uma banca de concurso para professor da Faculdade de Direito da Uerj, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, comentou a situação precária da universidade. "Eu dei aula por dois anos na Uerj, e espero que ela supere essas dificuldades. Acho que vai superar", afirmou Fachin. Em sua fala, no intervalo da banca, ele disse que a Uerj é "sua segunda casa", depois da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da qual foi aluno, professor e diretor da Faculdade de Direito. 

Procurado, o governo do estado ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão.

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