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Governo do Estado anuncia fechamento de duas escolas em Santos

Unidades funcionam bem abaixo da capacidade, segundo Diretoria Regional de Ensino; entidade docente teme retomada de reorganização da rede

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2017 | 05h00

SÃO PAULO - O governo do Estado de São Paulo vai fechar duas escolas de Santos no próximo ano após queda de alunos matriculados. Segundo a Diretoria Regional de Ensino, as escolas Braz Cubas e Cleóbulo Amazonas funcionam apenas no período da manhã e com menos de 20% da capacidade de estudantes. 

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) teme que a medida seja uma retomada da reorganização escolar - medida anunciada pelo governo do Estado, em 2015, que pretendia o fechamento de 94 unidades. O fechamento não é, segundo a Diretoria Regional de Ensino, parte de um plano de reestruturação mais amplo da rede, feito a pedido da Secretaria. 

João Bosco Guimarães, dirigente regional, disse que desde 2013 as unidades vem perdendo alunos por causa da crise financeira no País.  "Santos é uma cidade com custo de vida alto. Com a crise, muitas famílias de classe média baixa mudaram para a periferia ou cidades vizinhas e percebemos essa mesma mudança nas matrículas", disse. 

De acordo com o dirigente, a escola Braz Cubas tinha 484 alunos matriculados em 2013. No início deste ano, foram matriculados apenas 164, em seis turmas no período matutino. 

A unidade constava na lista de 94 unidades que a Secretaria Estadual de Educação pretendia fechar para realizar a reorganização escolar em 2015. Na época, a Justiça barrou o fechamento, a pedido da Defensoria Pública, por entender que a atitude era "precipitada e por não atender ao melhor interesse dos alunos". 

Guimarães disse que a manutenção das escolas, com o atual número de alunos, "não tem sentido". "Em nome do quê se mantem um prédio desse tamanho aberto com uma frequência de alunos tão baixa? O dinheiro do contribuinte precisa ser bem utilizado." O prédio será oferecido para utilização pela Prefeitura de Santos. 

Os alunos serão transferidos para a escola Azevedo Júnior que, segundo o dirigente, tem atualmente 700 matriculados, mas capacidade para receber ao menos 1.400. 

Já a escola Cleóbulos Amazonas, segundo Guimarães, tinha 812 alunos matriculados em 2013. O número chegou a 211 no início deste ano. "Hoje [terça-feira, 3] fizemos uma contagem e só 141 alunos frequentavam as aulas. A unidade tem capacidade física para 750 estudantes nos três períodos", disse. 

Desde 2013, a unidade já abriga a sede da diretoria regional de ensino. A partir do próximo ano, o prédio será usado apenas para atividades administrativas e ações de capacitação de professores. 

Os alunos dessa unidade serão transferidos para a escola Visconde de São Leopoldo que, segundo Guimarães, tem 847 alunos, mas capacidade para receber o dobro. 

Ainda segundo Guimarães, como tinham poucos alunos, as duas unidades já não tinham mais diretor ou coordenador pedagógico. Os professores serão transferidos para outras escolas da rede. "Uma escola morre aos poucos, perde massa corpórea. Conforme o número de salas diminui, também há redução de aulas. O professor vai para onde tem aluno."

Estudo. Guimarães disse que a diretoria também estuda o fechamento da Escola Rene Rodrigues de Moraes, no Guarujá - que também constava na lista de unidades que seriam fechadas em 2015. Das 13 salas disponíveis, apenas sete têm turmas no período da manhã. 

Para Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, o fechamento das unidades pode levar à superlotação de salas em outras escolas. "O movimento deveria ser o contrário. Deveriam buscar os alunos que deixaram essas unidades, combater a evasão. Agora, vão fechar e superlotar mais salas de aula."

O dirigente explicou que decisão do fechamento das escolas partiu da própria diretoria regional, após um acompanhamento do número de matrículas. Procurada, a Secretaria Estadual da Educação disse que apenas o dirigente iria se manifestar sobre o assunto. 

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