Governo desmarca reunião com universidades federais em greve

Novo encontro com representantes sindicais estava previsto para esta 3ª

Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo,

18 Junho 2012 | 14h43

Mesmo após 30 dias de greve na maior parte das universidades federais do País, o governo voltou atrás e desmarcou a reunião prevista para esta terça-feira, 19, com representantes sindicais dos professores. O Ministério do Planejamento, que toca as negociações, apresentaria o esboço de um novo plano de carreira dos docentes, principal reivindicação dos grevistas.

 

A paralisação completou um mês neste domingo e já atinge 54 universidades e institutos federais. O movimento tende a crescer ainda mais porque a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) mantém indicativo de greve e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deve decidir pela paralisação ainda nesta segunda-feira.

 

A alta cúpula do Planejamento recebeu os grevistas pela primeira vez na semana passada. No encontro, que ocorreu na terça-feira, 12, pediu uma trégua de 20 dias, mas a categoria recusou interromper o movimento sem ouvir uma proposta clara. A reunião de amanhã foi marcada naquela data e deveria, enfim, apresentar a proposta do governo.

 

O Planejamento confirmou o adiamento, mas não detalhou os motivos - o que deve, segundo a pasta, fazer ainda hoje. Ainda não há data para um novo encontro.

 

Um dos sindicatos envolvidos nas negociações, a Proifes, informou que a pasta argumentou que, em função da Rio+20, não seria possível apresentar uma proposta efetiva amanhã. Sindicalistas ouvidos pela reportagem criticam a decisão e dizem que, na verdade, o ministério não tem uma proposta concreta sobre o plano de carreira.

 

Na terça passada, o Planejamento pediu somente a trégua no encontro com os sindicalistas. Após a negativa deles em parar a greve, os representantes da pasta se retiraram da sala por 20 minutos e depois voltaram com a ideia de que a proposta seguiria a linha adotado no plano de carreira do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Nem ao menos essa linha agradou os grevistas, que a chamam de improvisada e incompleta.

 

A proposta tem como focos a valorização da dedicação exclusiva e a titulação dos docentes. Para ingressar na carreira, por exemplo, passaria a ser necessária a titulação mínima de doutor.

 

* Atualizada às 16h45

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