Governo de SP diz que greve não afetou aulas; sindicato estima 25% de adesão

Secretaria considera normal o número de ausências de professores nos dois turnos

Davi Lira, de O Estado de S. Paulo,

22 Abril 2013 | 18h45

O primeiro dia de greve dos professores da rede estadual de São Paulo não afetou a rotina de aulas dos mais de 5 milhões alunos. Segundo a Secretaria de Educação, houve um aumento de apenas 0,9% no número de ausências de professores. Diariamente cerca de 5% dos 230 mil docentes estaduais faltam às aulas. A posição, no entanto, é contestada pelo principal sindicato da categoria (Apeoesp).

Segundo a Apeoesp - que tem mais de 180 mil professores afiliados - 25% dos educadores entraram em estado de greve. O sindicato justifica, contudo, que muitos professores compareceram às escolas nesta segunda-feira, 22, para "conversar com os estudantes sobre a situação de greve".

A partir desta terça, a orientação é que os docentes não compareçam às mais de 5 mil unidades de ensino da rede. "Sugerimos que os professores conversem com a comunidade próxima da escola sobre a paralisação. Depois, que participem de panfletagem e participem de atos públicos durante a semana", diz o sindicato. Já está marcada para o dia 26 uma nova assembleia no vão livre do Masp, na Avenida Paulista.

Outros dois sindicatos de representação da classe consultados pela reportagem, o Centro do Professorado Paulista (CPP) e a Udemo - dos diretores -, não aderiam à greve convocada pela Apeoesp.

Entenda a paralisação

A decisão da greve tomada na última sexta-feira coincidiu com anúncio, antecipado pelo Estado, da ampliação do reajuste salarial deste ano, de 6% para 8,1%. Com o aumento, o reajuste escalonado até 2014 concedido pelo governo de São Paulo passa de 42,2% para 45,1%. Os sindicatos, no entanto, reclamam que essa política salarial levou em conta porcentuais de bonificação que já eram pagos pelo governo. O reajuste imediato de 13,5% é uma das exigências da categoria.

Em nota, a Secretaria de Educação afirmou ser "lamentável que a Apeoesp se paute por uma agenda político-partidária e ignore o amplo diálogo que a atual gestão tem estabelecido não apenas com os profissionais da rede estadual de ensino, mas também com os sindicatos da categoria".

Ainda segundo a pasta, os professores da rede estadual paulista, "que já ganham 33,3% mais que o piso nacional vigente, passarão a ter, a partir de julho, uma remuneração 44,1% maior". Hoje, o salário do professor que trabalha 8 horas por dia é de R$ 2.088,27.

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