Governo dá 18% e encerra negociação com professores

O governo federal deu por encerradas as negociações com os docentes das universidades federais e publica nesta semana uma medida provisória com o novo reajuste da categoria, de 18% na média, à revelia dos professores. A medida envolve 73 mil docentes.Os percentuais de aumento, que variam de 10,15% a 34,9%, ficaram acima da inflação, como queria a categoria, mas o governo não concedeu a isonomia entre pessoal da ativa e inativos, uma das exigências do sindicato.Aposta na divisãoCom 14 universidades federais em greve e outras com indicativo de greve aprovado nas assembléias, o governo federal decidiu apostar na possibilidade de dividir o movimento. A intenção é que os professores recebam o aumento na folha de setembro, mesmo que em uma folha suplementar, e retroativo a primeiro de maio."Muitos professores acreditavam que com o impasse o governo não iria dar o reajuste. Depois do pagamento irão ver que fomos adiante e eles podem voltar a trabalhar", disse o secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação, Jairo Jorge.Aposta na greveA presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), Marina Barbosa, disse que a possibilidade de greve está mantida e nesta quarta-feira haverá uma reunião do comando nacional. "Essa atitude pode gerar estarrecimento e decepção na categoria", afirmou.Marina confirma que os professores não abrem mão da equiparação salarial entre ativos e inativos. Essa isonomia custaria este ano ao governo R$ 70 milhões. Em 2005, segundo cálculos do MEC, seriam mais R$ 120 milhões.Arrecadação e limite"O que são R$ 70 milhões para um governo que teve a arrecadação recorde anunciada este ano? Não é um valor que põe em risco o ajuste fiscal", afirmou Marina. O reajuste aprovado custará R$ 372 milhões neste ano e R$ 532 milhões no ano que vem."Chegamos no limite a que poderíamos. Acreditamos que a nossa proposta atende os pontos básicos das exigências dos professores. Não podemos conceder a isonomia este ano, mas conseguimos aproximar os valores salariais", disse Jairo Jorge.Nota do editor: Este texto foi alterado em 18/08/04, com a inclusão do porcentual médio de reajuste oferecido pelo governo.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2004 | 18h50

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