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Governo Bolsonaro anula nomeação de responsável pelo Enem

Edição extra do 'Diário Oficial' tornou sem efeito a nomeação do economista Murilo Resende

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2019 | 00h42
Atualizado 29 de março de 2019 | 10h28

O governo Jair Bolsonaro tornou sem efeito na noite desta quinta-feira, 17, em edição extra do Diário Oficial da União, a nomeação de Murilo Resende, que assumiria a coordenação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e o nomeou para o cargo de assessor da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira, 18. 

Segundo o MEC, Resende atuará em um grupo especial de trabalho no âmbito do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) que "ajudará no acompanhamento, análise e direcionamento do Enem". De acordo com a pasta, a decisão foi tomada pelo ministro da Educação e pelo presidente do Inep "para que o novo assessor especial consiga desenvolver o trabalho de forma ampla e substantiva."

A nomeação de Resende, defensor do Escola sem Partido e admirador do filósofo Olavo de Carvalho,  para a coordenação do Enem criou polêmica entre educadores. Murilo Resende, de 36 anos, é doutor em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e teve o nome indicado por integrantes do movimento Escola Sem Partido.

Em uma audiência pública no Ministério Público Federal, em 2016, sobre "Doutrinação Político-Partidária no Sistema de Ensino" ele afirmou que professores brasileiros são desqualificados e manipuladores, que tentam roubar o poder da família praticando a "ideologia de gênero".

No dia em que foi indicado para assumir, teve o nome questionado por educadores e fundações educacionais que, além de manifestarem preocupação com as posições educacionais do indicado, também apontaram a falta de experiência em educação.

Bolsonaro defendeu a indicação pelo Twitter. "É doutor em Economia pela FGV” e “seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da 'lacração', ou seja, enfoque na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula”.

 

Em seguida, seu filho, Eduardo Bolsonaro, completou que os alunos não precisarão mais saber “sobre feminismo, linguagens outras que não a língua portuguesa ou História conforme a esquerda” já que o Enem estará “sob a égide de pessoas da estirpe de Murilo Resende”.

Veja nomes dos indicados para as diretorias do Inep

Chefia de gabinete: Francisco Mamede de Brito Filho, general da reserva ativa do Exército foi comandante do Centro de Estudos do Pessoal, no Rio

Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb): depois na anulação do nome de Murilo Resende, não foi anunciado novo nome

Diretoria de Avaliação da Educação Superior (Daes): Mariângela Abrão - permanece no cargo

Diretoria de Estatísticas Educacionais (DEED): Carlos Eduardo Moreno Sampaio - permanece no cargo

Diretoria de Gestão e Planejamento (DGP): Francisco Victor Bouissou - experiência em assessoria jurídica a grandes empresas multinacionais e, desde 2014, trabalhou como procurador da Infraero

Diretoria de Estudos Educacionais (DIRED): Antonio Maurício Castanheira das Neves - doutor em Filosofia, foi coordenador geral de pesquisa e pós-graduação da Universidade Católica de Petrópolis

Diretoria de Tecnologia e Disseminação de Informações Educacionais (DTDIE): Camilo Mussi -  permanece no cargo

 


 

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