Governo anuncia contratações para escolas técnicas

O governo federal vai contratar mais 900 professores e 600 servidores paras as escolas de ensino técnico e tecnológico federais. O anúncio foi feito ao final de um encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os diretores dos Centros Federais de Ensino Tecnológico (Cefet), no Palácio do Planalto. As novas contratações serão para atender o programa de expansão dos Cefets, em que 32 novas escolas deverão ser construídas, 25 este ano. O programa de expansão havia sido anunciado no final de dezembro da ano passado, mas os diretores reclamavam a contratação de mais pessoal. Na metade de 2005, o governo já tinha autorizado a contratação de 500 professores. No entanto, esses são apenas para a reposição de docentes que se aposentaram ou se afastaram por alguma outra razão. A confirmação da contratação dos professores foi feita pouco antes do início da reunião com os diretores. O programa das escolas técnicas é o preferido do presidente Lula, que reconheceu: "Eu tenho paixão especial pelas escolas técnicas". Lula lembrou da época em que fez o curso técnico de torneiro mecânico e disse que foi o primeiro a ter "uma casa, um carro, uma televisão em uma família de oito", por ter feito um curso técnico. Lula aproveitou para cutucar seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Possivelmente quem já fez um curso de pós-graduação na Sorbonne não tem essa dimensão. Eu tenho. Eu tenho a exata dimensão do que vale um curso profissional, por mais simples que ele seja", afirmou. Fernando Henrique tem um doutorado na Universidade de São Paulo - como o ministro da Educação, Fernando Haddad, que estava ao lado de Lula - e um pós-doutorado na Universidade de Paris. O presidente disse ainda que o País está muitos anos atrasado na educação por falta de continuidade de investimentos dos governos anteriores. "Houve muito tempo perdido. Se tivesse uma meta de crescimento das universidades teríamos hoje o dobro do que tínhamos na década de 70. Lamentavelmente se parou. E nas escolas técnicas foi a mesma coisa", afirmou Lula, que disse ter se assustado ao descobrir que teria que revogar uma lei que proibia o governo federal de construir novas escolas técnicas. A legislação, de 1998, dizia que a União só poderia criar novas escolas se Estados, municípios, ONGs ou o setor produtivo assumissem a manutenção, o que dificilmente acontecia. "É um negócio inimaginável, num País que precisa de educação profissional", afirmou. "É engraçado porque essas coisas foram feitas pelos mentores do Estado moderno".A rede atual tem 109 escolas, entre escolas de ensino básico profissional, escolas técnicas agrícolas e Centros de Ensino Tecnológico (Cefets), recentemente transformados em centros universitários e que reúnem ensino técnico de nível básico e de ensino superior tecnológico. No total, atendem 230 mil alunos. Com a expansão serão abertas mais 67 mil vagas.

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