Governo ameaça cortar ponto de docentes de federais

O governo federal ameaça cortar o ponto dos professores das universidades federais que não voltarem ao trabalho a partir do pagamento do reajuste definido na semana passada. Apesar do sindicato ter rejeitado o acordo - que dá aumentos variados entre 10% e 35%, com média de 18% -, o Palácio do Planalto publica nesta segunda-feira a Medida Provisória que prevê o reajuste."É uma proposta que chega muito próximo das três reivindicações da categoria. Chegamos ao que era possível fazer. Essa não é uma greve nacional. Esperamos ver um movimento dos servidores de volta ao trabalho e breve. Se isso não acontecer, o decreto em vigor prevê o corte do ponto", disse o secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação, Jairo Jorge.Os professores exigiam reajuste acima da inflação - o que conseguiram -, o fim da gratificação por produtividade e a isonomia entre ativos e inativos. Obtiveram uma aproximação entre aposentados e ativos e o fim do cálculo de pontos da gratificação. Agora, independentemente do trabalho, todos receberão o equivalente a 140 pontos.GreveHá 14 universidades federais em greve. As maiores são a Universidade Federal da Bahia e a Universidade de Brasília. O governo quer pagar já no mês que vem o reajuste. Seria uma forma de levar os professores a desistirem da greve, apresentando o acordo como um fato consumado.No entanto, se as instituições desistirem da greve sem que o sindicato da categoria obtenha o que vinha exigindo, será uma enorme derrota para os sindicalistas. Na sexta-feira, em uma última reunião com os técnico-administrativos das universidades, o governo conseguiu acertar uma proposta que agradou à categoria.O plano de carreira proposto prevê uma diferença de 3,6% entre cada degrau das carreiras. "A proposta é boa. Vamos levar para as assembléias e na próxima quarta-feira daremos uma resposta ao governo", disse Edvaldo Rosas, coordenador do sindicato.

Agencia Estado,

23 de agosto de 2004 | 10h05

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