Governo de São Paulo
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Secretário de saúde de SP defende suspensão de aulas presenciais diante do agravamento da crise

Jean Gorinchteyn chama atenção para deslocamentos fora dos colégios que contribuem para a propagação do coronavírus

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 12h20
Atualizado 02 de março de 2021 | 15h07

O secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse ser favorável à suspensão das aulas presenciais nas escolas diante do agravamento da pandemia de covid-19 no Estado. O tema, segundo ele, será discutido nos próximos dias, mas a posição pessoal do secretário é de que manter escolas abertas implica em uma série de deslocamentos fora dos colégios que contribuem com a propagação do vírus. 

"Isso é um tema que realmente estamos discutindo. Se estamos entendendo que as pessoas estão ameaçadas frente ao vírus, frente a um colapso, temos de avaliar a circulação das pessoas em situações que poderiam ser evitadas e uma delas é a escola", disse Gorinchteyn na manhã desta terça-feira, 2, em entrevista à Rádio CBN. "Essa é uma proposta que vamos levar (para discussão), eu pessoalmente estarei discutindo esse aspecto porque acho importante neste momento."

Para o secretário, o problema não está dentro da escola. "É a circulação das pessoas no entorno, professores, alunos, pais que levam e trazem, mesmo no transporte público a exposição em que acabamos colocando as pessoas", afirmou. Gorinchteyn disse ainda que um lockdown, com fechamento de todo o comércio e restrição à circulação nas ruas, não é factível no Brasil hoje. "Temos de fazer restrições sim, mas não temos capacidade no nosso País de fazer lockdown, as pessoas vão morrer de fome, vamos ter um problema civil, social."

No Estado de São Paulo, as escolas foram consideradas serviços essenciais, como supermercados e farmácias. Isso significa que podem ficar abertas mesmo nas fases mais restritivas da quarentena. O posicionamento de Gorinchteyn é contrário ao que tem defendido o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares. Para Rossieli, as escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a abrir, uma vez que o longo tempo de fechamento vem causando prejuízos às crianças e adolescentes.

A declaração de Gorinchteyn desagradou entidades que reúnem escolas particulares e grupos que defendem a reabertura das escolas. Para Arthur Fonseca Filho, diretor da Associação Brasileira de Escolas Particulares, o governo deve dar um tratamento isonômico às escolas em relação aos demais serviços considerados essenciais. "Não pode novamente a escola ser a primeira a fechar e a última a abrir."

Fonseca Filho diz que os colégios entendem a gravidade do momento e que, se a decisão das autoridades sanitárias for por um lockdown, com fechamento de todos os setores, isso será respeitado. Mas ele pondera que, no ano passado, de março até outubro, os colégios foram um dos poucos setores que permaneceram fechados. A Abepar reúne escolas de elite do Estado de São Paulo.

Para Lana Romani, do movimento Escolas Abertas, a declaração do secretário é incoerente. "O que repudiamos é que ele diz que é contra o lockdown, mas que, para evitar circulação de pessoas, prefere fechar as escolas. Isso é a contramão do mundo." O movimento foi à Justiça no ano passado para garantir a reabertura na capital paulista.  

Nesta terça-feira, 2, o Conselho Nacional de Secretários de Educação criticou por meio de nota o que chamou de “defesa da suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país”. A manifestação do Consed ocorre um dia após o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) pedir a suspensão do funcionamento das escolas, entre outras medidas, para conter o avanço da pandemia no Brasil.

Como o Estadão mostrou, o agravamento da pandemia no País tem levado municípios e Estados a suspenderem ou adiarem o retorno presencial às escolas. No Estado de São Paulo, 114 municípios barraram o retorno dos colégios estaduais. Estados como Pernambuco, Paraíba, Piauí e Paraná também decidiram suspender a volta às aulas neste momento diante da crise sanitária.

As escolas estaduais foram reabertas em São Paulo no dia 8 de fevereiro, com apenas 35% da capacidade. Já a rede particular recebeu autorização para retornar a partir do dia 1.º de fevereiro. Houve fechamento de algumas turmas após registro de infecções entre estudantes e funcionários de escolas privadas. Na rede estadual, cinco escolas estavam com atividades suspensas na semana passada após registrarem casos de covid-19. A Secretaria Estadual da Educação não atualizou o número de infecções nas escolas nesta semana. 

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